O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se comprometeu neste domingo a não enviar tropas para perseguir insurgentes no Paquistão, e descartou acelerar o ritmo da retirada militar do Iraque, argumentando que o país está no caminho certo, mas ainda precisa de ajuda.

"Não mudei meu foco", disse Obama, em entrevista transmitida neste domingo no programa 'Face the Nation', do canal CBS, na qual se referiu aos ataques com mísseis contra militantes no Paquistão. Obama admitiu, no entanto, que ataques aéreos serão lançados contra alvos inimigos.

"Se houver um alvo de alto valor em nossa mira, após consultar o Paquistão, iremos atrás dele", disse, mas negou que pretenda enviar tropas em perseguição a insurgentes dentro do território paquistanês.

"Nosso plano não muda o reconhecimento do Paquistão como um governo soberano", afirmou. "Precisamos trabalhar com eles, e através deles, para lidar com a Al Qaeda. Mas temos que nos responsabilizar mais".

"Acho que esta é uma guerra dos Estados Unidos", respondeu, perguntado se esta seria uma guerra pessoal. "E o foco durante os últimos sete anos, acho que se perdeu. O que queremos fazer é voltar nossas atenções novamente para a Al Qaeda", acrescentou, referindo-se indiretamente ao governo de George W. Bush.

"Vamos arrancar suas redes e bases pela raíz. Vamos nos assegurar de que não poderão atacar cidadãos dos Estados Unidos, o território dos Estados Unidos, nem os interesses dos Estados Unidos, nem os de nossos aliados em todo o mundo", afirmou.

Com o Paquistão promovido a nova prioridade de Washington, o secretário de Defesa, Robert Gates, pediu ao serviço de inteligência que cortasse seus contatos com os extremistas do Afeganistão, referindo-se a eles como "uma ameaça à existência" do próprio Paquistão.

O serviço de inteligência paquistanês manteve vínculos com extremistas "durante muito tempo, como uma prevenção contra o que pudesse acontecer no Afeganistão, se nós formos embora ou algo do tipo", disse o secretário à rede de televisão Fox News neste domingo.

Quanto à presença militar no Iraque, Obama garantiu que manterá o calendário já previsto.

"Acho que o plano que estipulamos para o Iraque é o certo, constituído por uma retirada gradual através das eleições no Iraque", declarou Obama à CBS. "Ainda resta trabalho a ser feito no campo político, além de resolver diferenças entre os vários grupos sectários e assuntos como o petróleo e as eleições provinciais".

"Tenho confiança de que estamos no caminho certo. Mas o Iraque ainda não terminou. Ainda temos muito trabalho a fazer", insistiu o presidente.

"Ainda é preciso treinar as forças iraquianas para melhorar sua capacidade. Tenho certeza, no entanto, de que estamos andando na direção correta", insistiu.

Obama ordenou o fim das operações de combate americanas no Iraque até 31 de agosto de 2010, mas disse que 50.000 soldados permanecerão no país para uma nova missão até o fim de 2011.

No mesmo programa, Obama declarou que os fabricantes de veículos americano precisam se esforçar mais para reestruturar sua abalada indústria e obter ajuda adicional do governo.

O presidente respondeu assim à pergunta sobre o que as montadoras General Motors e Chrysler precisariam fazer para conseguir mais dinheiro do governo.

Nesta segunda-feira Obama deve revelar seu plano de ajuda às montadoras, que pediram bilhões de dólares ao governo para enfrentar a crise econômica.

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