Obama derruba os muros da presidência Bush

O presidente americano, Barack Obama, começou sem demora a derrubar as políticas do antecessor, George W. Bush, partindo das decisões mais significativas, para atender as imensas esperanças de mudança que representa.

AFP |

No entanto, pelas perguntas que ficam sem resposta, as primeiras decisões (como a ordem de fechamento da prisão de Guantánamo) dão uma idéia da grande tarefa de Obama.

O próprio presidente preparou os americanos na terça-feira ao pronunciar, em meio a uma grande festa de posse, um discurso marcado pela sombria realidade atual: os Estados Unidos sofrem com duas guerras, no Iraque e Afeganistão, a pior recessão em muito tempo e uma profunda crise de confiança.

Diante de dois milhões de espectadores, e sob os olhares de todo o planeta, Barack Obama fez várias promessas: os desafios serão enfrentados, o presidente e os americanos atuarão para "reconstruir os Estados Unidos". Na presença de Bush, o primeiro presidente negro do país também prometeu mudança e reconciliação.

No mesmo dia, longe dos bailes de posse de Washington, era anunciada em Guantánamo a suspensão dos julgamentos por tribunais de exceção dos suspeitos de terrorismo, prelúdio de outras decisões importantes.

Na quinta-feira o democrata rompeu com as práticas antiterroristas instauradas no governo Bush, origem de muitas polêmicas: a prisão de Guantánamo deve ser fechado no prazo de um ano, os americanos terão que adequar-se às convenções de Genebra e ao manual que proíbe a tortura dos prisioneiros e, além disso, a CIA deve acabar com as prisões secretas no exterior.

No dia seguinte, Obama cumpriu outra promessa de derrubou a proibição de qualquer financiamento do Estado federal a organizações que praticam ou favorecem o aborto no exterior.

Ao mesmo tempo, o presidente reuniu os comandantes militares para cobrar um planejamento da retirada dos soldados do Iraque, uma guerra iniciada por Bush e que aprofundou consideravelmente as divisões entre os americanos.

Obama demonstrou ainda a intenção de um maior envolvimento nos problemas do Oriente Médio.

Também decretou novas regras morais para os funcionários do governo, que permitem algumas exceções.

O fechamento de Guantánamo representa questões complexas, para as quais o governo de Obama diz ter um ano para responder, como o que fazer com os prisioneiros que não puderem ser liberados ou julgados nos Estados Unidos?

E apesar de ter proibido os métodos de interrogatórios da CIA, denunciados por muitos como atos de tortura, o governo de Obama se reservou uma margem de manobra obscura no que diz respeito à forma como os suspeitos de terrorismo poderão ser interrogados ou julgados.

Com todas as medidas de impacto, no entanto, a prioridade absoluta do país continua sendo a economia. Com Bush ou Obama na presidência, a cada dia aumenta o número de demitidos.

A queda das ações de Wall Street privou o presidente de notícias boas até mesmo no dia da posse. Dois dias depois, novos dados do Departamento de Comércio revelaram que o marasmo do setor imobiliário, origem da crise, não chegou ao fim.

lal/fp

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