Obama define derrota da Al Qaeda como meta no Afeganistão

Por Ross Colvin WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, apresentou na sexta-feira uma nova estratégia para o Afeganistão com uma meta principal: eliminar os militantes da Al Qaeda nesse país e no vizinho Paquistão, que, ele afirmou, estão tramando novos ataques contra os Estados Unidos.

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Obama disse que as forças norte-americanas no Afeganistão vão transferir a ênfase de sua missão para o treinamento e ampliação do Exército afegão, para que este possa assumir a tarefa de garantir a segurança do país, de modo que as tropas dos EUA possam voltar para casa.

Obama pretende enviar outros 4.000 soldados norte-americanos para treinar o Exército, juntamente com centenas de civis para aprimorar os serviços básicos prestados pelo governo afegão. O governo dos EUA também vai procurar trabalhar com os países vizinhos do Afeganistão e intensificar a assistência militar e financeira, visando estabilizar o Paquistão.

A nova estratégia é anunciada no momento em que a violência no Afeganistão chegou ao nível mais alto desde que as forças lideradas pelos EUA expulsaram o Taliban do poder, em 2001, por ter dado abrigo aos líderes da Al Qaeda responsáveis pelos ataques de 11 de setembro contra os Estados Unidos. A milícia islâmica vem escalando seus ataques, frequentemente operando a partir de redutos seguros nas regiões tribais da fronteira do Paquistão.

"A situação está cada vez mais perigosa", disse Obama em discurso em tom grave em que tentou explicar ao público americano porque está aumentando o envolvimento militar e civil americano na guerra e ampliando seu foco para abarcar o Paquistão.

"O mundo não pode pagar o preço que vai advir se o Afeganistão escorregar de volta para o caos ou se a Al Qaeda operar livremente", avisou.

O governo afegão disse que saúda todas as principais conclusões da revisão, especialmente o reconhecimento de que a guerra contra os insurgentes do Taliban é um problema regional.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, disse que seu país exercerá "um papel ativo e construtivo" na nova estratégia americana.

Obama declarou que, ao lado das Nações Unidas, os EUA formarão um "grupo de contato" reunindo países que têm interesses em jogo na segurança da região, incluindo o Irã (adversário de longa data dos EUA), Rússia, Índia e China.

Ele disse que sua nova estratégia de guerra para o Afeganistão tem "uma meta clara e focada": perturbar, desmontar e, eventualmente, derrotar a Al Qaeda no Paquistão e Afeganistão.

Várias estimativas de inteligência avisam que a Al Qaeda, desde os redutos seguros que ocupa nas regiões montanhosas de fronteira do Paquistão, está ativamente planejando ataques aos Estados Unidos.

"Essa região de fronteira se tornou o lugar mais perigoso do mundo para americanos", disse Obama. "Mas esse não é um problema exclusivamente americano. A segurança do mundo está em jogo."

OBAMA IMPRIME MARCA PRÓPRIA À GUERRA

O plano imprime a marca de Obama à guerra no Afeganistão, que ele herdou de seu antecessor George W. Bush, a quem Obama criticou por se deixar distrair pela guerra do Iraque e não dedicar recursos suficientes para o esforço militar no Afeganistão.

Ao afirmar que a missão principal é alvejar militantes da Al Qaeda, Obama moderou o tom em relação às metas mais ambiciosas adotadas por Bush e outros líderes da Otan, que um ano atrás disseram que a meta era erguer no Afeganistão um Estado estável, próspero e democrático.

Analistas dizem que o êxito ou fracasso de sua política no Afeganistão provavelmente vão ajudar a definir a Presidência de Obama, mas que a questão mais importante deste mandato será a crise econômica.

Obama não definiu nenhum cronograma para a estratégia, mas disse que os EUA não vão "continuar cegamente no rumo em que estão" e que vão apresentar critérios para o governo afegão reprimir a corrupção e assegurar que use a assistência do exterior para ajudar sua população.

Ele disse que a chave para derrotar a Al Qaeda consiste em reforçar o governo civil fraco do presidente Asif Ali Zardari no Paquistão, onde, afirmou, a Al Qaeda e seus aliados são "um câncer que corre o risco de matar o Paquistão de dentro para fora".

Os EUA darão assistência militar ao Paquistão para ajudá-lo a combater a Al Qaeda e darão assistência econômica de modo coordenado com o Banco Mundial e o FMI.

Mas Obama acrescentou: "Não vamos dar um cheque em branco. O Paquistão terá que comprovar seu compromisso em combater a Al Qaeda e outros extremistas violentos que atuam em seu território".

Numa ilustração da violência, um homem-bomba matou 37 pessoas numa mesquita paquistanesa lotada perto da fronteira do Afeganistão na sexta-feira.

Os 4.000 soldados da 82 Divisão Aerotransportada que serão enviados ao sul do Afeganistão vão agir em parceria com o Exército afegão e chegarão até o outono americano deste ano. Eles serão um acréscimo aos 17 mil soldados de combate que Obama já mandou enviar ao Afeganistão.

Esses 17 mil devem estar no país antes da eleição presidencial afegã marcada para agosto, somando-se aos 38 mil soldados americanos e 32 mil de 40 aliados da Otan e outros países, que já estão no Afeganistão. Analistas dizem que o fato de a coalizão ser grande e desajeitada contribui para a falha da operação liderada pela Otan de repelir os avanços do Taliban ressurgente.

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