Obama defenderá reforma da saúde, maior desafio de seu mandato

Washington, 22 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, oferece hoje uma entrevista coletiva em horário de máxima audiência para defender a necessidade da reforma do sistema de saúde, o maior desafio de seu mandato até o momento e para o qual o apoio parece diminuir.

EFE |

Obama comparecerá hoje diante da imprensa na Casa Branca a partir das 20h01 (21h01 de Brasília) para sua quarta entrevista coletiva em horário de máxima audiência televisiva, na qual começará com um breve discurso em defesa da reforma do sistema de saúde público americano.

A entrevista coletiva encerra uma campanha pessoal lançada pelo líder, na qual apostou seu prestígio em defesa da que foi uma de suas principais promessas de campanha, mas em torno da qual parece crescer o ceticismo do público e do Congresso.

Atualmente, foram apresentadas três minutas de projetos de lei diferentes, em diversos comitês legislativos, para tentar solucionar o problema de como dar cobertura de saúde acessível e de qualidade aos cerca de 50 milhões de americanos que não têm seguro médico hoje em dia.

O custo da reforma foi calculado em cerca de US$ 1 trilhão, o que causa ceticismo entre a oposição republicana e inclusive em alguns democratas moderados, em momentos nos quais o déficit fiscal americano supera US$ 1 trilhão.

O debate parece afetar a popularidade do presidente, que superava 70%, após sua posse, em janeiro.

Uma pesquisa publicada hoje pelo jornal "USA Today" mostra que a aceitação de Obama está em 55%, enquanto a desaprovação subiu 16 pontos percentuais e já chega a 41%.

Em parte, isso se deve a que a economia, em meio à pior crise desde a Grande Depressão nos anos 30, não volta a decolar.

Mas a pesquisa também evidencia que o público vê com ceticismo a reforma do sistema de saúde, uma tarefa que o anterior presidente democrata, Bill Clinton (1993-2001), não conseguiu realizar.

Segundo o "USA Today", apenas 44% dos americanos apoiam os esforços do presidente a favor da reforma, enquanto 50% são contra.

Outras pesquisas divulgadas ao longo desta semana vão na mesma linha e parecem dar asas à oposição republicana, que, pela primeira vez desde que perdeu a Casa Branca nas eleições de novembro do ano passado, tem uma mensagem que repercute entre o público.

O senador republicano Jim DeMint chegou a afirmar que, se conseguissem frear os esforços de Obama em prol da reforma, seria "seu Waterloo", em referência à batalha que derrotou definitivamente o imperador francês Napoleão.

Em sua defesa, Obama disse na terça-feira, em uma declaração na Casa Branca, que "isso não é um jogo político. Isso é sobre um sistema de cuidados de saúde que está destruindo as famílias americanas, as empresas americanas e a economia americana".

O governador da Louisiana, Bobby Jindal, considerado um possível candidato republicano para as eleições de 2012, dá a réplica hoje com um artigo de opinião publicado no diário "The Wall Street Journal".

No artigo, Jindal afirma que, como foi concebida, a reforma poderia provocar a quebra de empresas médicas, o que prejudicaria a saúde da economia em geral.

Mas mesmo entre os republicanos parece haver divisões.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, expressou hoje seu apoio aos esforços de Obama e, em declarações à rede de televisão "ABC", considerou que é "intolerável que haja 48 milhões de pessoas sem seguro médico neste país". EFE mv/an

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