Obama defende uso das reservas de petróleo dos EUA

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou um novo plano para a questão energética no qual defende a utilização das reservas de petróleo do país como forma de baixar os preços dos combustíveis. Obama, que até então era contrário ao uso das reservas, defendeu que os EUA devem liberar 70 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para reduzir os preços a curto prazo.

BBC Brasil |

Durante um discurso na cidade de Lansing, no Estado americano de Michigan, Obama sugeriu ainda que o país libere as reservas nacionais no Alasca.

Em junho, o candidato apresentou sua política energética e afirmou que as reservas deveriam ficar intactas. A porta-voz da campanha de Obama, Heather Zichal, afirmou que o democrata havia reconsiderado a questão.

"Ele reconhece que os americanos estão sofrendo", afirmou a porta-voz.

A alta do preços dos combustíveis fez com que a questão energética se tornasse um dos principais temas da campanha presidencial americana. Para um eleitorado cujo estilo de vida se desenvolveu ao redor da gasolina barata e energia abundante, a política energética dos candidatos é um tema que ganha cada vez mais atenção dos eleitores.

Rivalidade

O apoio à utilização das reservas não é a primeira mudança de opinião de Obama com relação à questão energética.

No final de semana, ele declarou que poderia apoiar as perfurações em águas profundas caso isso fosse necessário para estabelecer uma política energética - posição a que se opunha no início da campanha e que foi reforçada no discurso de segunda-feira no Michigan.

O rival republicano, John McCain, também comentou a questão da energia e expressou seu apoio à novas perfurações em alto-mar como parte de um plano energético que inclui ainda energia nuclear e alívio de impostos na produção de gás.

As novas propostas sobre a questão energética coincidiram com um novo anúncio publicitário da campanha de Obama na qual o virtual candidato democrata acusa o rival, John McCain, de estar subordinado a companhias de petróleo.

A propaganda mostra McCain ao lado do atual presidente, George W. Bush, enquanto um narrador afirma: "Depois de termos um presidente que esteve no bolso das grandes companhias de petróleo, não podemos mais ter um outro". O narrador segue dizendo que as grandes empresas petrolíferas deram US 2 milhões para a camapnha do senador McCain.

O anúncio promove a proposta de Obama de dar um desconto de US$ 1 mil (R$1,6 mil) no imposto de renda das famílias americanas, financiado pela taxação dos lucros obtidos pelas petroleiras com o eventual aumento do preço do barril de ptróleo.

O porta-voz da campanha de McCain, Tucker Bounds, criticou o anúncio e afirmou que a propaganda não mencionou que em 2005, Obama votou a favor de uma lei que previa benefícios fiscais às petroleiras.

Na época, McCain votou contra a proposta, que era apoiada pelo presidente Bush.

"O recente ataque de Barack Obama mostra que sua celebridade só é comparada à sua hipocrisia", afirmou a declaração emitida pelo porta-voz.

Desafio

Durante seu discurso, Obama afirmou ainda que "romper com o nosso vício pelo petróleo é um dos grandes desafios que nossa geração jamais irá enfrentar".

"Não vai precisar de nada mais do que uma completa transformação de nossa economia", disse o democrata.

A proposta de Obama prevê a liberação de petróleo leve existente atualmente nos estoques americanos, que poderia mais tarde ser reposta com petróleo bruto pesado.

O petróleo leve é mais fácil de ser convertido em combustível para os veículos e em outros produtos derivados.

O governo Bush é contra a abertura das reservas e afirma que devem ser usada apenas em caso de extrema emergência. Em 2005, cerca de 10 mil barris foram liberados quando a passagem do furacão Katrina causou a interrupção do fornecimento para as refinarias.

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