Obama defende reforma da imigração em discurso

Em seu primeiro pronunciamento dedicado exclusivamente ao tema, líder americano conclama união entre partidos para aprovar medida

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira a necessidade de uma reforma da imigração integral nos EUA, iniciativa que se mantém travada no Congresso. A defesa foi feita em seu primeiro discurso dedicado exclusivamente ao tema desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2009. A reforma da imigração é uma das promessas de campanha do líder americano.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, discursa na Universidade Americana em Washington

Em pronunciamento em universidade de Washington, Obama afirmou que continua comprometido com uma legislação imigratória completa que enfatize a segurança de fronteira, mas também preserve o legado dos EUA como "uma nação de imigrantes, que acreditaram que existia um lugar onde podiam, finalmente, estar livres para trabalhar e ter sua religião e viver suas vidas em paz".

Obama não anunciou nenhuma nova política durante seu discurso na Universidade Americana para uma audiência de 250 líderes religiosos, empresariais, trabalhistas e comunitários, além de representantes das forças de segurança e autoridades eleitas. Ele também não anunciou se o Departamento de Justiça manterá um processo no Arizona contra uma lei que torna mais fácil a detenção de imigrantes ilegais.

Em vez disso, ele pediu o fim da postura bipartidária em relação ao assunto, que reconheceu como profundamente contencioso, conclamando o Congresso a abordar os problemas com a política migratória apesar das numerosas derrotas políticas. Propostas similares fracassaram no Congresso em 2006 e 2007.

Ele disse que não são viáveis nem a anistia completa nem as deportações em massa dos estimados 11 milhões de imigrantes do país, argumentando que entre esses dois extremos é necessário encontrar um caminho para elaborar uma lei de imigração ampla e prática. "Os imigrantes sempre ajudaram a construir e defender esse país", afirmou Obama.

Obama transformou a reforma da imigração em uma prioridade em meio à pressão de Estados da fronteira para coibir a imigração ilegal e a violência relacionada ao narcotráfico. O presidente americano quer uma lei bipartidária que reforce as fronteiras dos EUA e legalize, após cumprir com certos requisitos, os imigrantes ilegais que vivem nos EUA, a maior parte deles de origem hispânica.

Segundo a Casa Branca, recentes acontecimentos persuadiram Obama a fazer o discurso. Um deles seria a polêmica lei de imigração do Arizona. A legislação, que entra em vigor em 29 de julho, torna crime a presença de imigrantes ilegais no Estado e dá à polícia o poder de parar, revistar e exigir documentos de qualquer pessoa sobre a qual paire “suspeita razoável”.

Segundo o porta-voz da Casa Branca Bill Burton, Obama "achou que seria um bom momento para Obama falar aos americanos claramente sobre suas opiniões sobre a imigração". Burton disse que o presidente acredita que o debate diz respeito "à responsabilidade para garantir a segurança da fronteira, dos empresários que contratam imigrantes ilegais e daqueles que estão no país ilegalmente".

O presidente tem buscado formas de parecer mais proativo, em vez de reativo, sobre a imigração - tópico que é importante para hispânicos na base democrata, que poderiam desempenhar um importante papel no resultado das chamadas eleições de "meio de mandato" (legislativas e estaduais), em novembro.

Os democratas estão pessimistas em aprovar qualquer lei migratória neste ano, em parte porque seu principal parceiro republicano no Congresso, o senador pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, disse que o Congresso deveria aprovar outras medidas antes.

*Washington Post, EFE, BBC e AFP

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