Obama defende publicação de relatórios secretos da CIA

Washington - O presidente de EUA, Barack Obama, defendeu nesta segunda-feira a publicação de quatro relatórios secretos que detalham como o Governo anterior, de George W. Bush, deu sinal verde à CIA para pôr em prática técnicas de interrogação consideradas por sua Administração atual como tortura.

EFE |

Ele assinalou, durante sua primeira visita à sede central da agência de espionagem, que a Casa Branca decidiu publicar os relatórios a pedido de um tribunal, por considerar que seria "muito difícil" a elaboração de uma defesa legal efetiva se optasse por não divulgá-los.

"Atuei fundamentalmente em função das circunstâncias excepcionais em torno desses relatórios", explicou Obama, acrescentando que grande parte da informação contida nos mesmos já era pública.

Ele se comprometeu, entretanto, a proteger a integridade da informação classificada como secreta no futuro, assim como a identidade dos funcionários da CIA.

"Serei tão enérgico na hora de protegê-los como vocês são na hora de proteger o povo americano", assegurou.

O presidente americano lembrou assim mesmo que seu Governo encerrou as controvertidas táticas de interrogação, entre elas a asfixia simulada.

Estes documentos foram publicaram na quinta-feira, a pedido de um tribunal da Califórnia que tinha dado de prazo até esse dia, atendendo a ação de uma organização de defesa dos direitos civis, para elas serem divulgadas ou que o Governo explicasse por que as manteria em segredo.

As declarações de Obama coincidem com a publicação hoje de uma matéria no jornal "The New York Times" afirmando que a CIA submeteu à asfixia simulada dois prisioneiros da rede terrorista Al Qaeda em 266 ocasiões.

Agentes da CIA utilizaram a asfixia simulada pelo menos 83 vezes em agosto de 2002 contra o integrante da Al Qaeda Abu Zubaydah, segundo um relatório de 2005.

O documento menciona que a CIA também usou essa prática 183 vezes em março de 2003 contra Khalid Shaikh Mohammed, que se declarou mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York.

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