O presidente Barack Obama se mostrou favorável a dar um novo impulso à formação do exército e da polícia do Afeganistão nos próximos meses para poder fortalecer assim a segurança e a estabilidade do país, em entrevista difundida pelo canal britânico Sky News neste domingo.

Na entrevista feita durante sua visita a Gana, no sábado, o presidente americano defendeu que a comunidade internacional deve se concentrar no desenvolvimento das capacidades militares afegãs para permitir que os afegãos garantam melhor sua própria segurança.

"Os mais importante que podemos fazer é combinar nossos esforços militares com a diplomacia e a ajuda ao desenvolvimento para que os afegãos possam se sentir mais envolvidos no restabelecimento da segurança em seu país e tenham maior capacidade para fazê-lo".

Obama também mencionou as eleições que vão acontecer no Afeganistão em agosto.

"Todos nos vamos ter que fazer uma avaliação depois das eleições afegãs para ver o que mais pode ser feito".

"Acho que precisamos começar a direcionar nossa atenção para como criar uma exército afegão, uma polícia afegã, como trabalhar com os paquistaneses efetivamente, de maneira que as pessoas posam controlar seus próprios países".

"Mas não é apenas o lado mlitar, devemos considerar também o lado do desenvolvimento, proporcionando aos fazendeiros afegãos alternativas aos cultivos de ópio, garantir que estamos efetivamente treinando um sistema judiciário e regras de lei em que o povo afegão possa confiar".

"Sabemos que nesse verão o combate vai ser duro. (...) Temos uma luta séria em nossas mãos e temos que lidar de maneira inteligente, temos que lidar de maneira efetiva".

Obama prestou tributo aos esforços dos militares britânicos no Afeganistão, num momento em que, segundo o ministério da Defesa britânico, o número de soldados britânicos mortos no Afeganistão superou as baixas fatais da Grã-Bretanha no Iraque.

No total, 184 militares britânicos já morreram no Afeganistão desde 2001, contra os 179 soldados caídos no Iraque desde a invasão do país, em 2003, por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

"Meu coração está com esses soldados britânicos. A Grã-Bretanha tem um papel extraordinário nessa coalizão, ao entender que não podemos permitir que nem o Afeganitão nem o Paquistão podem ser um paraíso seguro para a Al-Qaeda, aqueles que impunemente explodem estações de trem em Londres ou prédios em Nova York".

Ele insistiu que a contribuição britânica no Afeganistão é fundamental e que o primeiro-ministro Gordon Brown, assim como seu antecessor Tony Blair, está comprometido na campanha porque a possibilidade de um ataque terrorista em Londres é tão alta quanto nos Estados Unidos.

Na entrevista, Obama também se declarou preocupado com o comportamento da Síria em certos temas, mas reiterou a esperança de de progressos nos contatos diplomáticos esboçados recentemente.

Obama mencionou o convite informal feito pelo colega sírio, Bashar al-Assad, no início do mês para uma reunião na Síria que discutiria os problemas do Oriente Médio.

"Há aspectos no comportamento dos sírios que nos preocupam e pensamos que existe um meio da Síria desempenhar um papel mais construtivo em uma série destes problemas", afirmou.

O governo dos Estados Unidos anunciou em 24 de junho o envio de um novo embaixador a Síria, depois de quatro anos sem representante diplomático, que o governo de George W. Bush retirou após o assassinato do ex-premier libanês Rafif Hariri em 2005, crime sobre o qual pesam acusações contra o regime sírio.

Obama considera a Síria chave para a obtenção da paz no Oriente Médio.

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