Obama defende nova colaboração com a América Latina em cúpula

Macarena Vidal. Port of Spain, 18 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou hoje a vontade de estabelecer uma nova colaboração com a América Latina em reunião na qual os governantes sul-americanos criticaram as políticas americanas anteriores, e que transcorreu sem tensões.

EFE |

O encontro, que durou pouco mais de uma hora, antes das sessões plenárias da 5ª Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, permitiu uma "troca franca de opiniões" em um clima "educado" e "sem tensões", conforme afirmou um funcionário americano.

"Tenho muito a aprender e muita vontade de escutar", reiterou o presidente americano.

Uma das grandes dúvidas da cúpula era como seria o encontro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no passado o grande antagonista na região da política externa dos Estados Unidos e que chegou a qualificar o ex-presidente George W. Bush como "o diabo".

O tom aparentemente foi cordial. Obama e Chávez trocaram palmadas nas costas e apertaram as mãos quando, após o discurso do presidente americano, o venezuelano se levantou do extremo da mesa onde estava sentado e deu ao governante dos Estados Unidos um exemplar do livro "As Veias Abertas da América Latina", do uruguaio Eduardo Galeano.

Chávez explicou mais tarde que o livro, uma crítica à ingerência europeia e dos Estados Unidos na região, tinha a dedicatória "Para Obama, com afeto". O presidente venezuelano declarou que o colega é "um homem inteligente" e que quer ser "amigo" dele.

Sobre uma possível aproximação entre Venezuela e Estados Unidos - ferrenhos adversários nos últimos anos-, Chávez disse que não tem a "menor dúvida" de que isso ocorrerá, e acrescentou que acredita que deram "bons passos" para isso.

No entanto, ressaltou que não assinará a declaração final da Cúpula das Américas por discordar da ausência de Cuba no evento.

Questionado por um jornalista sobre a possibilidade de uma reunião bilateral com Chávez, Obama respondeu que está havendo "progressos na Cúpula" das Américas.

Os dois já se tinham cumprimentado com um aperto de mãos antes da cerimônia de abertura do evento, na sexta-feira.

O discurso de Chávez na reunião com a União de Nações Sul-americanas (Unasul), que durou poucos minutos, manteve um tom "educado", na visão de um funcionário americano.

No entanto, como fizeram outros líderes latino-americanos, criticou a política externa anterior dos Estados Unidos antes de expressar esperança em uma mudança com a chegada de Obama ao poder.

O presidente americano, por sua vez, defendeu que a cúpula não se concentre em discutir o passado, mas em "avançar para o futuro", e reiterou a disposição de manter uma nova colaboração em pé de igualdade com a região.

Obama afirmou que outros países também devem reconhecer o passado e evitar a "tentação fácil" de culpar os EUA por tudo o que ocorreu de ruim, disse o funcionário americano.

A reunião, na qual também foram discutidas questões econômicas, energéticas e de imigração, teve entre os assuntos principais a situação de Cuba, a grande ausência do encontro como regime não democrático.

Vários líderes latino-americanos pediram ao presidente dos Estados Unidos para normalizar as relações com a ilha, depois que Obama ordenou, na segunda-feira, o levantamento das restrições às viagens e envios de remessas familiares à ilha, assim como medidas para facilitar as comunicações entre EUA e Cuba.

As fontes explicaram que Obama reiterou a posição que já tinha manifestado no discurso de abertura: a de que os Estados Unidos buscam um "novo começo" na relação com Cuba, mas que a mudança não ocorrerá da noite para o dia.

O presidente americano ressaltou que está disposto a manter um diálogo sobre um amplo leque de temas, desde os direitos humanos até imigração e economia, mas não a "falar sem pensar".

Ao longo do dia, Obama conversará com os presidentes de Haiti, René Préval; Chile, Michelle Bachelet; Peru, Alan García; Colômbia, Álvaro Uribe, e com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper.

EFE mv/db

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