Obama defende Estado palestino e aumenta pressão sobre Israel

Macarena Vidal. Washington, 28 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou hoje firme apoio à criação de um Estado palestino e intensificou a pressão sobre Israel, ao exigir o fim dos assentamentos nos territórios ocupados.

EFE |

Obama se reuniu hoje por cerca de uma hora e meia com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dentro de uma série de encontros com líderes do Oriente Médio para dar um novo impulso ao processo de paz na região.

Abbas, que chegou à reunião enfraquecido, já que seu mandato expirou há quatro meses e o grupo radical Hamas detém o controle da Faixa de Gaza, saiu satisfeito do encontro.

Obama dedicou ao líder palestino palavras de elogio, e expressou o respaldo mais claro até o momento de um presidente americano a um Estado palestino.

O líder americano reiterou a necessidade de Israel colocar fim aos assentamentos na Cisjordânia, como já fez na reunião mantida há dez dias com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"Sou um firme crente em uma solução de dois Estados", o israelense e o palestino, disse Obama em declarações à imprensa após a reunião.

Segundo o presidente americano, Israel acabará entendendo que a criação de um Estado palestino é "a melhor maneira" de garantir sua própria segurança e tranquilidade.

Ele disse ainda que as obrigações de Israel dentro do acordo de paz para o Oriente Médio incluem "o fim dos assentamentos e a garantia de que é possível um Estado palestino viável".

O chefe da Casa Branca afirmou que os palestinos devem fazer mais progressos para garantir a segurança e evitar a "incitação" contra Israel.

Até o momento, Netanyahu resistiu a aceitar a possibilidade de um Estado para os palestinos.

Hoje, o Governo israelense insistiu em que levará à frente a política de assentamentos, apesar das pressões dos Estados Unidos, que exigem, conforme disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o fim de "todos" os enclaves judeus, sem exceções.

Apesar das dificuldades, Obama pediu paciência, ao ressaltar que a reunião com o primeiro-ministro israelense ocorreu somente na semana passada.

O presidente dos Estados Unidos expressou confiança em que se as duas partes levarem em conta "não o ganho tática a curto prazo, mas a estratégica a longo prazo", será possível alcançar o objetivo da paz no Oriente Médio.

Assim como Abbas, Obama ressaltou que "não há tempo a perder" no processo de busca da paz no Oriente Médio, mas se declarou contrário a impor "calendários específicos" para alcançar um acordo.

Por sua vez, o presidente da ANP disse que "o tempo pressiona" para a criação de um Estado para o povo palestino, e defendeu a necessidade de "aproveitar cada minuto, cada momento que se passa" para conseguir um acordo de paz.

Abbas expressou o "completo compromisso" para cumprir o pactuado no pacto, e assegurou: "Cumpriremos nossa parte" para melhorar a segurança.

O presidente americano também fez vários elogios aos presidente da ANP, que lidera um Governo moderado do Fatah na Cisjordânia.

Concretamente, disse estar "muito impressionado" com a insistência de Abbas em que um Governo de união nacional com o Hamas passe pelo reconhecimento de princípios já aceitos pelo Fatah, mas que o grupo radical rejeita, como a aceitação do Estado de Israel.

A reunião entre Obama e Abbas aconteceu poucos dias antes de o presidente americano viajar ao Oriente Médio, na próxima semana.

No dia 3, Obama deve tratar com o rei Abdullah da Arábia Saudita, em Riad, sobre o processo de paz e o programa nuclear iraniano.

Em 4 de junho, fará no Cairo seu aguardado discurso ao mundo muçulmano, onde tentará diminuir a desconfiança contra os EUA, a qual cresceu bastante nesses países durante o mandato de George W.

Bush.

Nas declarações de hoje, Obama destacou que falará, no discurso, sobre o processo de paz entre israelenses e palestinos, porque, de outro modo, "não seria apropriado", mas principalmente se centrará em enviar uma mensagem mais ampla para melhorar o entendimento entre EUA e os muçulmanos. EFE mv/db

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