Obama dá prazo para Irã permitir acesso a usina nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estabeleceu um prazo de duas semanas para que o Irã permita o acesso da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para inspeções na segunda instalação de enriquecimento de urânio do país. Nesta quinta-feira, o governo iraniano concordou em cooperar com a AIEA para a realização das inspeções depois de uma reunião em Genebra com representantes do Irã, dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e da Alemanha para discutir as atividades iranianas de enriquecimento de urânio.

BBC Brasil |




Diplomatas se reuniram em uma mansão de Genebra / Reuters

"O Irã deve tomar ações concretas para gerar confiança de que seu programa nuclear servirá a fins pacíficos", disse Obama em uma coletiva de imprensa em Washington.

Segundo Obama, o governo do Irã ouviu uma mensagem clara e unificada da comunidade internacional em Genebra.

O presidente classificou o encontro como "um começo construtivo" mas insistiu que o governo iraniano deve demonstrar seu compromisso de transparência sobre o programa nuclear com ações.

"Caso o Irã não demonstre ações num futuro próximo para cumprir com suas obrigações, os Estados Unidos não continuarão a negociar indefinidamente e nóse estamos preparados para aumentar ainda mais a pressão. Nossa paciência não é ilimitada", disse Obama.

Negociações
Após o encontro, o chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana, afirmou que o governo iraniano vai convidar a AIEA para visitar a usina, perto da cidade de Qom, "nas próximas semanas".

"Isso representa o início do que, esperamos, será um processo intensivo", afirmou Solana. "A importância deste encontro foi intensificada pela participação plena, pela primeira vez, dos Estados Unidos."

Durante um intervalo na reunião, o subsecretário de Estado americano, William Burns, teve um encontro privado com o principal negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili.

O vice-porta-voz do Departamento de Estado americano, Robert Wood, não revelou detalhes sobre as negociações, mas diplomatas americanos descreveram o encontro como "significativo".

Apesar dos desdobramentos da reunião em Genebra, um diplomata ocidental afirmou durante o encontro que a maior parte da sessão da manhã desta quinta-feira foi gasta na reafirmação de posições.

Mais cedo, a emissora de televisão estatal iraniana IRIB afirmou que Jalili usou uma linguagem "clara e inequívoca" durante as discussões iniciais.

"A República Islâmica não será dissuadida de maneira nenhuma de seus direitos", teria dito o negociador.

Jalili também teria dado uma "explicação detalhada" das propostas que o Irã submeteu aos seis países no mês passado e "destacou a necessidade do desarmamento global completo".

Compromisso
O governo americano, por sua vez, afirma que está concentrado na busca por um acordo, e não por novas sanções. No entanto, diplomatas americanos deixam claro que as reuniões com o Irã não podem continuar sem definição por muito tempo.

"Esta é a primeira vez que concordamos em nos reunir com o Irã, como membro atuante das discussões. Queremos nos comprometer com este processo, mas não vamos fazer isso para sempre", afirmou Wood.

Recentemente, a Rússia deu a entender que poderia estar pronta para suavizar sua oposição a mais sanções contra o Irã. A China, que também é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, afirmou que este tipo de pressão não será eficaz.

O governo iraniano insiste que tem direito de desenvolver energia nuclear, mas a revelação da nova instalação para enriquecimento de urânio, na semana passada, aumentou o temor de que o país poderia tentar desenvolver armas nucleares.

Leia mais sobre programa nuclear

    Leia tudo sobre: aieabomba atômicaeuairãobama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG