Pittsburgh (EUA), 25 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concluiu hoje sua participação na cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e os principais emergentes) em Pittsburgh, que foi nublada pelas revelações sobre a capacidade nuclear iraniana, com a afirmação de que o organismo evitou que a economia caísse no abismo.

Na entrevista coletiva com a qual encerrou a reunião das principais economias do mundo, na qual atuou como anfitrião, Obama assegurou: "Saímos daqui unidos", uma mensagem que aplicou tanto às medidas econômicas adotadas como à resposta contra as tentativas iranianas de buscar armamento atômico.

Segundo sua opinião, o G20 adotou "duras" regulações financeiras para impedir que uma crise como a atual possa voltar a se repetir e "os que abusam do sistema terão que assumir a responsabilidade".

Insistiu em que a cúpula que termina hoje preparou o terreno para uma "prosperidade a longo prazo".

Obama afirmou que a saúde da economia mundial era muito grave há somente seis meses e destacou que as "enérgicas e coordenadas" medidas adotadas pelo G20 evitaram a destruição de mais trabalhos e que a crise fosse pior.

Reconheceu, de todo modo, que ainda resta muito trabalho para ser feita nos meses seguintes e que será necessário continuar implementando medidas enérgicas para impulsionar um "crescimento equilibrado e sustentado".

Por isso, tanto Estados Unidos como seus parceiros do G20 manterão por enquanto e "até que a recuperação seja sólida" os planos de estímulo que iniciaram para reativar a economia.

Anunciou também que o G20 decidiu a eliminação gradual das subvenções aos combustíveis fósseis e comemorou a decisão de aumentar o poder de voto dos países em desenvolvimento nas instituições financeiras internacionais.

Mas, se a economia ocupou a maior parte da declaração com a qual abriu sua entrevista coletiva, o tema Irã dominou as perguntas, depois que esta manhã Obama, junto com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, denunciaram uma fábrica secreta para enriquecer urânio no Irã e exigiram o acesso dos inspetores internacionais.

O presidente americano afirmou hoje que "não descarta" a opção militar no Irã, mas "a via diplomática continua sendo o caminho preferido" para persuadir esse país a renunciar a suas atividades de enriquecimento de urânio.

O presidente americano sustentou que a comunidade internacional está "mais unida do que nunca" nesse sentido.

Obama se referiu às declarações russas e chinesas que pedem que Teerã colabore com as inspeções internacionais e declarou: "Esperamos que o Irã se dê conta" e opte por cumprir suas obrigações.

O presidente dos EUA ressaltou que os dados sobre a fábrica, cuja existência o Irã reconheceu em carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foram obtidos pelos serviços secretos britânico, francês e americano e seu confiabilidade não oferece nenhuma dúvida.

"A resposta que vimos hoje, evidencia quão sólidos são esses dados", disse ao se referir aos comunicados russo e chinês.

"O Irã tem perante de si a opção de se unir à comunidade internacional ou continuar seu isolamento", insistiu.

Obama fez também uma menção à guerra no Afeganistão, cuja estratégia se encontra sob revisão, e declarou que o componente militar é "só uma parte" da estratégia para esse país.

O comandante-em-chefe das forças da Otan no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, enviou no início deste mês um relatório de avaliação da situação no Afeganistão no qual indicou que a menos que se enviem mais soldados para esse país pode-se perder a guerra no próximo ano.

Como parte desta estratégia, tinha sido decidido o envio de 21 mil soldados adicionais ao Afeganistão, que para o final deste ano aumentará para 68 mil o número de militares americanos desdobrados no país asiático. EFE mv/ma

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