Obama culpa Bush por crise e McCain promete reformas econômicas

Teresa Bouza. Washington, 15 set (EFE).- A campanha do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, culpou hoje as políticas dos republicanos que estão no poder pela atual crise financeira, enquanto seu adversário, John McCain, prometeu reformas para enfrentar os problemas na economia.

EFE |

As turbulências em Wall Street depois da quebra do banco de investimento Lehman Brothers e da atual crise econômica no país dominaram também os discursos dos candidatos à Vice-Presidência Sarah Palin e Joe Biden.

Palin afirmou, em um comício no Colorado, que ela e McCain lutarão contra os juros criados e iniciarão regulações eficientes que impeçam que uma crise como a atual se repita.

Já Biden declarou, durante um ato em Michigan, que McCain adotou as políticas fracassadas do presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, e as táticas do ex-assessor político da Casa Branca Karl Rove.

"A campanha que um protagoniza fala de como o outro governará", afirmou Biden, que disse ainda que McCain e Palin optaram pelas divisórias táticas de Rove, segundo ele prejudiciais "caso de queira liderar uma nação indivisível".

A campanha de Obama divulgou um comunicado por volta das 6h (7h de Brasília), no qual disse não culpar McCain pelo ocorrido, mas sim a filosofia econômica defendida pelo senador.

"É uma filosofia que tivemos durante os últimos oito anos, uma que diz que deveríamos dar mais e mais aos que mais têm e confiar em que a prosperidade chegará a todos os demais", disse Obama.

Ele acrescentou que se trata de uma filosofia "que diz que inclusive as regulações com bom senso são desnecessárias e pouco sensatas" e que, por essa filosofia, os americanos deveriam "enterrar a cabeça na areia e ignorar os problemas econômicos até que se transformem em crise".

"O país não pode permitir outros quatro anos desta filosofia fracassada", afirmou Obama, que disse que está há anos pedindo a modernização das regras financeiras para responder aos desafios do século XXI, regras que, segundo ele, protegeriam os investidores e consumidores americanos.

McCain enviou um comunicado por volta das 8h (9h de Brasília), no qual qualificou de "essencial" para os EUA manter seu status de principal mercado financeiro do mundo.

Essa será uma das "prioridades de meu Governo", comentou o senador, que acrescentou que para conseguir seu objetivo iniciaria uma "grande reforma" em Washington e Wall Street.

Nesse sentido, ressaltou que ele e sua companheira de chapa, a governadora do Alasca, Sarah Palin, substituiriam a atual ineficaz e defasada regulação com transparência e responsabilidade.

Suas palavras coincidiram com o lançamento de um novo anúncio televisivo, em que lembra as propostas econômicas de McCain, inclusive sua promessa de reduzir os impostos, de efetuar explorações petrolíferas em alto-mar e iniciar regras mais duras em Wall Street.

O anúncio acaba com uma foto de McCain e Palin e a palavra "experiência", embora nenhum dos dois tenha um longo histórico em assuntos econômicos.

McCain foi membro do Comitê de Comércio do Senado, mas é especialista em temas de política externa. Palin, por sua vez, é a governadora do Alasca há menos de dois anos.

A campanha de Obama questionou a validade dos argumentos de McCain, ao afirmar que o senador esteve em Washington durante 26 anos e "não movimentou nem um dedo" para reformar as leis que poderiam ter prevenido a crise.

Além disso, a campanha do democrata criticou McCain por propor cortes fiscais multimilionários para as grandes empresas, mas "nem um só centavo" para os mais de 100 milhões de americanos preocupados com suas economias e suas hipotecas.

A crise nos mercados promete se transformar em um tema central dos últimos 50 dias da campanha presidencial, já que a economia é este ano a maior preocupação dos eleitores americanos. EFE tb/ab/rr

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