Por Caren Bohan DAYTON, EUA, 9 de outubro (Reuters) - O candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, acusou nesta quinta-feira seu adversário do Partido Republicano, John McCain, de defender um plano de resgate ao mercado hipotecário que premiaria os banqueiros culpados pela atual crise financeira iniciada no setor imobiliário norte-americano.

"Temos de agir para consertar a economia quebrada e recuperar os mercados de crédito", afirmou Obama em um comício realizado em Ohio, um dos Estados que podem decidir as eleições presidenciais de 4 de novembro.

"Mas os contribuintes não deveriam ser obrigados a pagar a conta no lugar das pessoas que geraram essa crise."

No debate com Obama realizado em Nashville (Tennessee), na terça-feira, McCain propôs que o governo pagasse pelos empréstimos podres de pessoas que viram o valor de suas casas ficar abaixo do valor de seus débitos.

Os empréstimos então seriam reestruturados na forma de hipotecas mais fáceis de serem pagas. O republicano descreveu o plano como um "primeiro passo fundamental" a fim de enfrentar a crise.

A crise no setor imobiliário dos EUA foi a origem do terremoto financeiro que abalou Wall Street, que custou aos investidores norte-americanos trilhões de dólares e que colocou o país à beira de uma profunda recessão.

Obama, que, segundo as pesquisas, é o candidato em quem os norte-americanos mais confiam no caso de questões econômicas, criticou o plano hipotecário de McCain e o descreveu como algo nada "especialmente novo."

O democrata disse que ele próprio havia sugerido algo parecido antes do republicano a fim de ajudar os proprietários de imóveis a continuarem em suas casas.

"Mas eu também disse então que isso não deveria servir de veículo para recompensar os bancos e as instituições credoras que concederam empréstimos ruins de forma irresponsável", afirmou Obama. "Isso não deveria servir de salvaguarda para os grandes especuladores do setor imobiliário que aceitaram esses empréstimos para terem lucros rápidos."

Obama, de 47 anos, aparece à frente nas pesquisas nacionais de intenção de voto e nas pesquisas realizadas em vários dos Estados decisivos da eleição. O democrata abriu uma vantagem de quatro pontos percentuais em relação a McCain segundo uma enquete Reuters/C-SPAN/Zogby divulgada nesta quinta-feira.

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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