Obama cria grupo de trabalho para biocombustíveis

Por Timothy Gardner NOVA YORK (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, vai orientar os chefes de três órgãos do governo para tornarem o setor de biocombustíveis mais limpo e para estimular a produção de etanol a partir de cultivos não-alimentícios, segundo um esboço de memorando obtido na segunda-feira pela Reuters.

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O Grupo de Trabalho Interagencial para os Biocombustíveis, a ser encabeçado pelos secretários de Proteção Ambiental, Energia e Agricultura, terá a tarefa de identificar políticas que possam tornar os biocombustíveis menos nocivos ao meio ambiente e estimular a produção de automóveis "flex", capazes de rodarem com gasolina ou etanol, segundo o memorando.

Além disso, Obama pedirá ao secretário de Agricultura, Tom Vilsack, que "comece imediatamente a refinanciar os investimentos existentes em combustíveis renováveis, conforme for necessário para preservar empregos nas usinas de etanol e biodiesel, usinas de geração de eletricidade renovável e indústrias de apoio", disse o memorando.

Uma fonte do setor, familiarizada com o memorando, disse que Obama vai estimular Vilsack a acelerar as oportunidades de financiamento sob a Lei Agrícola de 2008. Isso inclui garantias de crédito para o desenvolvimento de biorrefinarias e usinas-piloto que poderiam custar dezenas de milhões de dólares, de acordo com a fonte.

O memorando diz que os biocombustíveis já geraram centenas de milhares de novos empregos, além de "centenas de milhões de dólares em nova arrecadação fiscal para os governos locais, estaduais e federal".

O setor norte-americano de etanol tem sofrido muitas falências desde outubro, por causa da elevação do preço do milho (matéria-prima do álcool nos EUA), da escassez de crédito e pela redução da demanda por combustíveis num cenário de recessão.

Com o desenvolvimento do mercado dos créditos de carbono, os produtores de etanol de grãos podem ser pressionados a provarem que seus combustíveis geram reduções nas emissões de gases do efeito estufa.

Ambientalistas e alguns cientistas dizem que a produção de biocombustíveis nos EUA, a partir do milho e outros grãos, pode tirar espaço da produção de alimentos, que por sua vez seria transferida para outros países, onde agricultores ocupariam novos espaços queimando e derrubando florestas, o que gera mais carbono. Trata-se, dessa forma, de uma emissão de gases do efeito estufa a partir da "mudança indireta no uso da terra".

Os usineiros dos EUA, por sua vez, dizem que os avanços no desenvolvimento de sementes e fertilizantes permitirá que eles cultivem mais milho e outras matérias-primas para o biocombustível no mesmo espaço de terra.

(Reportagem adicional de Charles Abbott em Washington)

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