Obama cria Conselho para enfrentar crise financeira

César Muñoz Acebes. Washington, 6 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou hoje um Conselho de assessores independentes para ajudá-lo a formular uma resposta à crise econômica, e pressionou o Congresso para que aprove um plano de estímulo sem demoras.

EFE |

"É injustificável e irresponsável se agarrar a distrações e atrasos, enquanto milhões de americanos perdem seu trabalho (...) é hora de o Congresso agir", disse Obama na cerimônia de apresentação dos membros do Conselho Assessor para a Recuperação Econômica.

O plano de estímulo foi aprovado na Câmara de Representantes, mas está travado no Senado, onde os republicanos e alguns democratas querem que envolva menos dinheiro e dedique mais fundos aos cortes tributários.

A versão do plano que tramita no Senado ronda os US$ 920 bilhões, que seriam distribuídos durante dois anos.

Obama disse que o pacote tem "o tamanho, o alcance e as prioridades corretas", e alertou que "se não agirmos, esta crise se transformará em uma catástrofe".

Hoje se soube que a economia dos Estados Unidos perdeu quase 600 mil postos de trabalho em janeiro, o número mais alto desde dezembro de 1974, o que elevou o índice de desemprego a 7,6%, mais que o previsto pelos analistas.

Obama usou este anúncio como demonstração de que seu plano de estímulo é uma medida indispensável para evitar o agravamento da recessão nos EUA, iniciada em dezembro de 2007.

"A situação não poderia ser mais séria. Estes números exigem ação", disse Obama ao Congresso.

Enquanto pressionava o Senado, onde o pacote é negociado atualmente, Obama quis mostrar hoje com o anúncio dos membros do Conselho que tem iniciativas para pôr fim à crise.

O presidente já conta com uma forte equipe de economistas entre seus assessores diretos como o secretário do Tesouro, Tim Geithner, e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Lawrence Summers, mas indicou que quer ouvir vozes de fora da Casa Branca, e por isso decidiu criar o novo Conselho de assessores.

A ideia contrasta com as práticas de seu antecessor, George W.

Bush, que foi criticado por ouvir apenas um pequeno grupo de conselheiros conservadores que pensavam de forma parecida.

O novo Conselho será presidido por Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e terá a coordenação de Austan Goolsbee, um dos principais assessores de Obama durante a campanha eleitoral.

"Vamos nos reunir de forma periódica para que eu possa ouvir ideias diferentes e aguçar as minhas, para obter conselhos sinceros e bem informados", explicou Obama.

O Conselho conta com grandes nomes do mundo empresarial, sindical e acadêmico. "Entre eles há alguns economistas e alguns que acham que são economistas", brincou Obama.

Representando o setor privado estão Jeffrey Immelt, o chefe da General Electric; Charles Phillips, presidente da Oracle; Jim Owens, chefe da Caterpillar, e Mónica Lozano, editora do jornal "La Opinión", o maior em espanhol dos Estados Unidos.

Para representar os trabalhadores foram convidados os sindicalistas Anna Burger e Richard Trumka. Também integram o Conselho ex-altos funcionários do Governo americano como William Donaldson, antigo presidente da Comissão da Bolsa de Valores, e Roger Ferguson, ex-número dois do Fed.

Entre os acadêmicos estão Martin Feldstein, um dos economistas republicanos mais influentes dos Estados Unidos, e Laura D'Andrea Tyson, decana da Escola Hass de Negócios da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Obama explicou que esses assessores lhe darão "uma visão no terreno" da economia a partir de seus diversos setores. EFE cma/mh

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