Obama costura acordo sobre o clima

O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira um acordo com outros líderes mundiais para combater o aquecimento global, classificando-o como sem precedentes, mas admitindo que ainda não é suficiente para resolver o problema.

AFP |

Passadas mais de quatro horas do horário oficial de encerramento da Conferência do Clima da ONU em Copenhague, e depois de uma exaustiva rodada de negociações entre os governantes mais poderosos do planeta, Obama declarou que um acordo havia sido finalmente alcançado - mas reconheceu o fato de ser limitado e não vinculante.

O pacto inclui um compromisso de tomar uma decisão sobre as metas de redução das emissões até 2020 em janeiro, segundo informações de um diplomata europeu.

E, ao contrário de outros rascunhos, o novo acordo não especifica nenhum ano limite para as emissões.

Uma fonte americana indicou que o acordo traz um comprometimento das nações ricas e em desenvolvimento para limitar o aquecimento da Terra em no máximo 2 graus Celcius.

Além disso, os Estados Unidos contribuirão entre 2010 e 2012 com 3,6 bilhões de dólares para um fundo de combate às mudanças climáticas, que servirá para ajudar os países mais pobres a se adaptarem ao aquecimento global, de acordo com uma versão do texto à qual a AFP teve acesso.

O Japão, por sua vez, doará 11 bilhões de dólares para o fundo ao longo dos próximos três anos, enquanto a União Europeia (UE) contribuirá com 10,6 bilhões.

O acordo foi costurado em negociações entre Obama e os líderes de Brasil, China, Índia e África do Sul, além de governantes dos principais países europeus, de acordo com fontes diplomáticas.

Obama disse à imprensa que um acordo vinculante será "muito duro" e levará tempo para ser negociado, destacando que o progresso alcançado na cúpula do clima em Copenhague "não foi suficiente".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, havia dito mais cedo que as negociações estavam avançando depois de seu encontro com Obama e com outros líderes europeus, entre eles o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O texto do acordo estabelece que os países deverão providenciar "informações nacionais" sobre de que forma estão combatendo o aquecimento global, através de "consultas internacionais e análises feitas sob padrões claramente definidos".

A China havia se recusado a aceitar qualquer espécie de verificação de seu plano de corte das emissões de carbono, alegando que se trataria de uma violação de sua soberania - e reafirmando que os países ricos carregam a maior responsabilidade em relação ao aquecimento global.

Os desentendimentos entre Washington e Pequim estiveram no centro das divisões durante a negociação do acordo.

bur-co/ap

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