Obama corteja evangélicos sugerindo programas de fundo religioso

Por John Whitesides ZANESVILLE, EUA (Reuters) - O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu na terça-feira adotar uma postura mais ativa em relação aos programas sociais baseados em grupos religiosos.

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A declaração faz parte dos esforços dele para ampliar sua penetração entre os eleitores evangélicos e de outros credos.

Obama visitou uma comunidade evangélica de uma região conservadora do Estado de Ohio (um dos que prometem decidir a eleição presidencial) a fim de revelar um plano capaz de revigorar os programas baseados em grupos religiosos, algo defendido inicialmente pelo atual presidente norte-americano, George W. Bush.

O democrata, senador pelo Estado de Illinois que enfrentará o republicano John McCain nas eleições de novembro, disse que mobilizaria mais dinheiro e energias com vistas a fortalecer a ligação entre o governo e os programas baseados em comunidades religiosas.

'O fato é que os desafios enfrentados hoje -- desde salvar o planeta a acabar com a pobreza -- são grandes demais para que o governo os vença sozinho', disse Obama. 'Precisamos todos participar desses esforços.'

McCain e Obama preparam-se para disputar a tapa os votos dos eleitores evangélicos em novembro. Nenhum dos dois inspira grande entusiasmo entre os religiosos, normalmente mais próximos dos republicanos.

A maior parte das pesquisas mostra que McCain venceria Obama nesse eleitorado. Mas o democrata espera sair-se melhor dentro desse grupo do que o candidato John Kerry, em 2004, quando Bush ficou com o voto de quatro de cada cinco evangélicos.

Obama viu-se prejudicado por uma controvérsia em torno de declarações polêmicas dadas pelo reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor do candidato, e por rumores falsos divulgados pela Internet sobre ele ser muçulmano. A isso somam-se ainda boatos que questionam o patriotismo dele.

O democrata, no entanto, aposta na preocupação cada vez maior dos evangélicos com questões como o aquecimento global e a pobreza e na insatisfação com a guerra e o governo de Bush (um republicano) para ter a oportunidade de cortejar um eleitorado que respondeu por mais de 20 por cento do total de votos em 2004.

'Quero que isso seja algo central em nossa missão na Casa Branca', disse a repórteres em Zanesville.

Obama, que se referiu várias vezes a sua convicção religiosa durante a batalha das prévias travada contra a também democrata Hillary Clinton, afirmou ter aprendido cedo, na qualidade de líder comunitário em Chicago, o valor das ações realizadas em nome da fé.

'Eu acabei por encarar minha religião tanto como um compromisso pessoal com Cristo quanto como um compromisso com a minha comunidade -- apesar de poder ficar sentado em uma igreja e ficar rezando o quanto desejasse, eu não cumpriria o desejo de Deus se não saísse às ruas para realizar a missão do Senhor', afirmou.

Segundo Obama, a agência das Iniciativas Baseadas na Fé e nas Comunidades, criada por Bush como parte da sua agenda 'conservadora misericordiosa', nunca cumpriu suas promessas iniciais e viu programas sociais receberem uma quantidade insuficiente de dinheiro.

Obama sugeriu a criação de Parcerias Baseadas na Fé e nos Vizinhos a fim de revigorar aquela iniciativa.

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