Obama corteja China, mas faz pressão sobre direitos humanos

Durante visita a Washington, presidente Hu Jintao reconheceu que 'muito ainda precisa ser feito' sobre o tema no país

iG São Paulo |

Os presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, e Hu Jintao, da China, tentaram focar em interesses comuns aos dois países, mas reconheceram diferenças importantes em áreas como comércio e direitos humanos, durante o encontro de oito horas que tiveram nesta quarta-feira.

Em pronunciamento, feito durante a visita de Hu à Casa Branca, Obama pressionou a China na questão de direitos humanos. No discurso, que sofreu por falhas na tradução simultânea, segundo o jornal The New York Times, Obama disse que quando se tratam de diferenças entre EUA e China em relação a direitos humanos, ele tem sido “franco com o presidente Hu” e as desavenças acabam sendo "motivo de tensão”. As diferenças, no entanto, não ofuscariam a busca por melhores relações em determinadas áreas, garantiu Obama.

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Presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Hu Jintao, são vistos durante visita do líder chinês à Casa Branca, Washington
Pressionado a replicar a observação de Obama, Hu disse reconhecer pontos de vistas diferentes entre os países, mas preferiu se ater ao discurso usual de que outros países não deveriam interferir nos assuntos domésticos da China.

Apesar de admitir que “muito ainda precisa ser feito”, Hu disse que a China fez “enormes progressos reconhecidos no mundo” em relação aos direitos humanos. O líder chinês disse ainda que a China pretende continuar a manter discussões sobre direitos humanos com base no respeito mútuo e na não-interferência em seus assuntos internos.

Segundo um funcionário da Casa Branca, que pediu anonimato, Obama teria conversado com Hu também sobre o dissidente chinês Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz que está detido na China. O líder americano pediu em várias ocasiões às autoridades chinesas que libertem Liu, que conquistou em 2010 o Prêmio Nobel da Paz. O tema, no entanto, não foi mencionado na coletiva feita pelos líderes nesta quarta-feira.

Moeda

Nesta quarta-feira, os dois presidentes prometeram cooperar para resolver a disputa a respeito da moeda chinesa, o yuan. Os EUA acusam a China de manter o yuan artificialmente desvalorizado, o que levaria a vantagens competitivas para suas exportações. Obama afirmou ter dito a Hu que o valor do yuan deve ser determinado pelo mercado.

O déficit na balança comercial com a China preocupa os americanos. Os Estados Unidos importam US$ 344,1 bilhões da China, e exportam somente US$ 81,8 bilhões.

Obama disse também que a “relação positiva, construtiva e de cooperação” entre os dois países é boa para os EUA, para a China e para o mundo. “Com nossos parceiros no G20, nós passamos da beira de uma catástrofe para o início da recuperação da economia global. Com nossos parceiros no Conselho de Segurança (da ONU), nós aprovamos e implementamos as sanções mais fortes contra o programa nuclear do Irã até hoje”, disse Obama, em uma coletiva de imprensa conjunta com Hu.

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Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Hu Jintao, inspecionam as tropas depois da chegada do líder chinês para um encontro na Casa Branca
Agenda

O presidente chinês foi recebido na Casa Branca com honras militares na manhã desta quarta-feira. À noite, participa de jantar de Estado na Casa Branca em homenagem ao líder chinês. Na quinta-feira, Hu deverá visitar o Congresso americano e se reunir com líderes republicanos e democratas, antes de partir para Chicago, última parada de sua visita aos Estados Unidos.

A visita de Hu aos Estados Unidos tem sido considerada por analistas a mais importante de um líder chinês desde 1979, quando as relações diplomáticas entre os dois países foram normalizadas.

*Com BBC e AFP

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