Obama cortará gastos para conquistar cobertura médica total nos EUA

Washington, 13 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cortará US$ 313 bilhões de despesas desnecessárias em programas de saúde pública, com o objetivo de dar cobertura médica aos cerca de 46 milhões de americanos que não têm acesso ao plano.

EFE |

"Estou anunciando hoje a entrada de US$ 313 bilhões adicionais na economia, com o corte de despesas desnecessárias, que aumentarão a eficiência e a qualidade dos sistemas de saúde", afirmou Obama.

O Presidente explicou que conseguirá economizar esse valor "reduzindo os pagamentos excessivos" a seguradoras privadas do Medicare, o programa de saúde para idosos.

Além disso, eliminará "todo desperdício", tanto nesse programa, quanto no Medicaid, que oferece cobertura médica a pessoas pobres.

Os dois programas cobrem milhões de americanos e contam com a participação de milhares de médicos, hospitais, asilos e outras instituições.

Obama espera que US$ 106 bilhões do valor previstos a ser economizado venham dos pagamentos a hospitais que tratam de pessoas sem plano de saúde, já que seu programa ofereceria cobertura universal.

O Governo prevê economizar outros US$ 75 bilhões com melhores políticas de preços dos remédios fornecidos no Medicare.

Outros US$ 110 bilhões serão cortados com a redução dos incrementos nos pagamentos previstos aos hospitais e diferentes provedores de serviços médicos ao programa Medicare, no prazo de 10 anos.

Para isso, seria preciso acrescentar US$ 22 bilhões, com menores reformas, que têm o objetivo de reduzir o desperdício, a fraude e o abuso.

Obama insistiu, nesse âmbito, que o "bom senso" guiará seus planos de cortes.

"Se mais americanos forem cobertos por seguro, poderemos reduzir os pagamentos aos hospitais com tratamento a pacientes sem seguro médico", disse.

Acrescentou, além disso, que "se os fabricantes de remédios pagarem a parte que lhes corresponde", será possível reduzir a despesa do Governo em remédios prescritos.

"E se os médicos tiverem incentivos para proporcionar um melhor serviço de saúde, em lugar de mais serviços, poderemos ajudar os americanos a evitar hospitalizações, tratamentos e exames desnecessários que inflam os custos", concluiu.

Esse plano de cortes, somado a outras medidas anunciadas anteriormente, permitirá a economia de US$ 950 bilhões para a implementação da reforma do setor de saúde, nos próximos dez anos.

Os EUA gastam quase 50% a mais que qualquer outro país do mundo, por pessoa, em cuidados médicos, uma situação que a Casa Branca considera inaceitável.

O objetivo final, segundo lembrou hoje o líder americano, é abordar uma reforma que "reduza custos, melhore a qualidade e a cobertura e proteja o poder de decisão do consumidor".

As mudanças propostas por Obama são, em sua maioria, projetos em longo prazo que buscam alterar o funcionamento da medicina nos EUA.

A Casa Branca e seus aliados no Congresso terão, portanto, que encontrar fórmulas, no curto prazo, para subsidiar o seguro de saúde que querem oferecer àqueles que não têm cobertura.

Obama quer que o projeto de reforma esteja pronto para que sua aprovação seja feita em outubro, através de uma lei, mas enfrenta a oposição de diferentes setores da indústria médica, assim como a dos republicanos no Congresso, que se negam a criar um plano de cobertura público que concorra com o das seguradoras privadas.

Além disso, alguns de seus parceiros democratas expressaram sua preocupação com a implementação de recortes drásticos nos programas Medicare e Medicaid, para financiar as reformas. EFE tb/pd

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