Obama convoca McChrystal após críticas em público

Chefe das tropas estrangeiras no Afeganistão teria criticado e feito piadas sobre presidente dos EUA

iG São Paulo |

O chefe das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, general Stanley McChrystal, foi convocado em caráter de urgência à Casa Branca depois da divulgação de suas críticas ao presidente americano , Barack Obama, e outros altos funcionários do governo do país.

No artigo, que deve vir a público na sexta-feira no próximo número da edição americana da revista "Rolling Stone", o general e seus auxiliares criticam, às vezes de forma jocosa, Obama e sua equipe. Segundo diferentes fontes que tiveram acesso a trechos do artigo de McChrystal, o general faz comentários jocosos sobre o vice-presidente americano, Joe Biden -"Quem é este?"-, e sobre o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke.

Divulgação/Casa Branca
Barack Obama e o general Stanley McChrystal conversam a bordo do Air Force One durante passagem do presidente pela Europa (out/2009)

Segundo veículos de comunicação os EUA, McChrystal, encarregado pelo presidente de conduzir uma nova estratégia na guerra no Afeganistão, já pediu desculpas por suas críticas . O general recebeu ordens para se apresentar nesta quarta-feira na conferência mensal da Casa Branca sobre o Afeganistão e Paquistão em vez de participar por videoconferência, como costuma fazer.

O chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Mike Mullen, "falou com o general McChrystal ontem à noite e lhe expressou sua profunda decepção com a matéria e as opiniões ali expressadas", disse o capitão John Kirby, porta-voz de Mullen.

Pedido de desculpas

Encarregado por Obama de conduzir uma nova estratégia na guerra no Afeganistão, McChrystal já pediu desculpas por suas críticas .

"Tenho um enorme respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, assim como pelos líderes civis e as tropas que lutam nesta guerra, e sigo comprometido com assegurar um resultado bem-sucedido", disse o general em comunicado divulgado à imprensa.

"Ofereço minhas mais sinceras desculpas por este perfil. Foi um erro que reflete maus julgamentos e nunca deveria ter acontecido", admitiu McChrystal. "Ao longo da minha carreira, vivi sob os princípios da honra pessoal e da integridade profissional. O que se reflete neste artigo está muito longe" destas ideias, continuou.

Críticas abertas ao presidente

Em reportagme que deve ser publicada na sexta-feira pela revista Rolling Stone, McChrystal, comandante dos 142.000 soldados da coalizão no Afeganistão, ironiza abertamente o vice-presidente Joe Biden, conhecido por seu ceticismo ante a estratégia militar naquele país.

O general também afirma ter se sentido traído pelo embaixador americano em Cabul, Karl Eikenberry, durante um debate no ano passado na Casa Branca sobre estratégia no Afeganistão. No artigo, McChrystal denigre igualmente o enviado especial dos Estados Unidos para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke.

Da mesma forma, faz crítica a Barack Obama, recordando os atritos entre o Exército e a Casa Branca no ano passado, quando o presidente refletia sobre o envio de reforços pedidos por McChrystal. O general afirma que foi um momento "penoso".

E um assessor não identificado de McChrystal comenta no artigo que o general ficou frustrado depois de se reunir com Obama há um ano. "Foi uma sessão fotográfica de 10 minutos", afirmou esse assesor. "Obama claramente não sabia nada sobre ele, quem era ele... Ele não parecia muito comprometido", acrescentou.

Otan apoia general

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) considerou "bastante infeliz" a matéria que deve ser publicada na próxima sexta feira com críticas do chefe das operações no Afeganistão ao presidente Barack Obama, mas reiterou sua "plena confiança" no militar americano.

"A matéria da 'Rolling Stone' é bastante infeliz, mas é apenas uma matéria", declarou o porta-voz da Otan, James Appathurai, em comunicado. "Estamos em meio de um conflito muito real, e o secretário-geral tem plena confiança no general McChrystal e em sua estratégia", acrescentou.

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