Macarena Vidal. Washington, 10 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu hoje com seu gabinete para discutir a reforma do sistema de saúde e continuar com suas tentativas de levar a iniciativa à frente depois de seu discurso no Congresso americano.

"Continuo aberto a todo tipo de sugestões e de ideias. Mas o que não podemos fazer é continuar como estamos e aceitar a situação atual", afirmou Obama à imprensa depois da reunião.

Dentro de seus esforços para avançar na reforma, o presidente americano se encontrou hoje com 100 enfermeiras de todo o país na Casa Branca, em uma reunião na qual falou sobre os mesmos temas do discurso apresentado no Capitólio.

"Não vou permitir que a reforma seja adiada", assegurou Obama, mencionando os números publicados hoje pelo Governo americano e que apontam para um aumento do número de pessoas sem cobertura médica nos últimos 12 meses, de 45,7 milhões para 46,3 milhões.

"Ninguém deveria ser tratado assim nos EUA. Não precisamos de mais distrações. Falamos deste assunto até não poder mais. Chegou o momento de agir", afirmou o presidente americano, que deve visitar o estado de Minnesota no sábado para uma reunião com eleitores sobre a reforma na saúde.

Obama procura retomar a iniciativa, sua grande prioridade legislativa, depois que a oposição republicana aproveitou o recesso de agosto no Congresso para soterrar as propostas democratas de críticas.

Tais comentários negativos parecem ter diminuído o apoio público à reforma - pesquisas recentes mostram que 52% dos americanos eram contra a medida -, e há o temor de que isso se estenda à popularidade do presidente.

No discurso desta quarta-feira, Obama expôs as suas ideias sobre a reforma, que segundo ele melhorará a cobertura dos que já contam com seguro médico privado e permitirá criar um mercado na qual as seguradoras competirão com apólices acessíveis e de qualidade, além de controlar as despesas na saúde.

Uma pesquisa instantânea do canal de notícias "CNN" mostrou que, entre os que viram o discurso pela televisão, 70% se declararam satisfeitos com seu conteúdo. A emissora esclareceu que, entre os consultados, a proporção de democratas era maior do que entre a população geral.

A oposição republicana continua sem se mostrar convencida.

Durante o discurso, um congressista da Carolina do Sul, Joe Wilson, chamou Obama de mentiroso quando o presidente assegurou que a reforma na saúde não se aplicaria aos imigrantes ilegais.

Wilson se desculpou logo depois, impelido pelos próprios líderes republicanos, em um telefonema à Casa Branca e por um comunicado no qual explicou que, "apesar de estar em desacordo com as declarações do presidente, meu comentário foi inadequado e lamentável. Estendo minhas sinceras desculpas ao presidente pela minha falta de educação".

Outros republicanos foram menos descorteses, mas igualmente críticos contra as propostas do presidente.

O senador John McCain, adversário de Obama nas eleições do ano passado, reconheceu que é necessário tomar medidas para reformar o sistema de saúde atual, que deixa 15,6% da população americana sem cobertura. Entretanto, alertou que, se o presidente quer levar a iniciativa adiante, deve se esforçar para incluir os republicanos.

Atualmente, o Congresso americano lida com cinco projetos de lei diferentes sobre a reforma. Obama insistiu em que a medida será aprovada antes do final do ano.

De acordo com o que explicou em seu discurso da noite de ontem, a reforma terá um custo de US$ 900 bilhões em dez anos.

O presidente se mostrou partidário de uma das propostas mais polêmicas, a criação de uma opção pública que concorra com os seguros privados, mas alegou que a ideia se trata de "um meio para chegar a um fim", a cobertura para o maior número possível de pessoas, e se disse disposto a ouvir alternativas. EFE mv/bba

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