Obama contata líderes republicanos para pedir colaboração

Dificuldades econômicas ajudam republicanos a conseguirem vitória nas eleições legislativas dos EUA

iG São Paulo |

O presidente Barack Obama afirmou que deseja encontrar pontos em comum com os republicanos, que conseguiram vitórias importantes no Congresso nas eleições legislativas, para que os Estados Unidos possam avançar, informou a Casa Branca. Às 15h (de Brasília), o líder americano concederá uma coletiva para analisar os resultados da votação da terça-feira.

AP
Obama liga para deputado John Boehner, líder republicano que deve ser presidente da Câmara, para parabenizá-lo pela vitória
Obama ligou para o líder republicano John Boehner, que deve ser o próximo presidente da Câmara de Representantes, para afirmar que "espera trabalhar com ele e com os republicanos para encontrar pontos em comum, fazer o país avançar e alcançar conquistas para os americanos", segundo comunicado da presidência.

A oposição republicana obteve maioria na Câmara de Representantes em uma grande derrota para o líder americano, alcançando a maior mudança de partido na Casa em mais de 70 anos. Apesar de terem perdido cadeiras no Senado, os democratas mantiveram sua maioria, indica apuração parcial nesta quarta-feira.

As projeções ratificaram o que era previsto pelas pesquisas nas últimas semanas: uma profunda derrota dos democratas, provocada por uma lenta recuperação econômica e por uma taxa de desemprego obstinadamente elevada.

Obama também ligou para o líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, e para a atual presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, que deve perder o posto para Boehner em janeiro. Pelosi, que ocupa o cargo há quatro anos como a primeira mulher a presidir a Casa, trabalha de maneira incansável a favor do programa legislativo do presidente dos EUA.

A assessoria de Boehner descreveu a ligação do presidente como "curta, mas agradável". "Eles discutiram como trabalhar juntos para tratar as prioridades dos americanos, que na opinião de Boehner são criar empregos e cortar os gastos governamentais", de acordo com um comunicado divulgado pelo gabinete do líder republicano.

Na noite de terça-feira, Boehner afirmou que os eleitores americanos advertiram Obama que ele deve mudar o rumo. "Esperamos que o presidente respeite a vontade do povo, mude o rumo e comprometa-se a fazer as mudanças que (os americanos) demandam", disse.

Agenda de Obama

Apesar de tradicionalmente o partido que ocupa a Casa Branca perder cadeiras no Congresso nas eleições de meio de mandato, a derrota de terça-feira foi particularmente dolorosa para Obama, um presidente que conseguiu em pouco mais de um ano e meio aprovar uma reforma da saúde, lançar um amplo programa de gastos públicos para sustentar a economia que perdia centenas de milhares de empregos por mês e aprovar outra reforma, financeira, para evitar futuras crises.

Agora, Obama vê seriamente dificultada sua agenda de mudanças. Ele deseja aprovar reformas importantes nas áreas de energia, educação e imigração, esta última com o objetivo de regularizar a situação de quase 11 milhões de ilegais, a maioria deles latinos.

Os republicanos prometeram iniciar um movimento para revogar a reforma da saúde e cortar drasticamente os gastos públicos.

Tea Party

Um dos grandes vencedores da disputa é Marco Rubio, republicano de 39 anos de origem cubana que conquistou uma vaga no Senado pela Flórida com o apoio do Tea Party, o movimento ultraconservador que provocou um verdadeiro terremoto político após sua criação há 18 meses.

O movimento tem o nome inspirado por uma revolta histórica que abriu o caminho para a guerra de Independência nos anos 1770. Os partidários do Tea Party, revoltados com o que consideram gastos excessivos do governo, conseguiram vencer diversas primárias do Partido Republicano para a eleição.

Outra estrela do Tea Party, Rand Paul, senador por Kentucky (centro-leste), anunciou que seu objetivo era "devolver o governo ao povo".

O Tea Party, no entanto, também sofreu algumas derrotas, como a de sua polêmica candidata por Delaware (leste) Christine O'Donnell ou a de Sharron Angle, que perdeu em uma disputa acirrada em Nevada (sudoeste) com o líder democrata no Senado, Harry Reid.

*Com AFP e EFE

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