Obama considera votação de Estado palestino na ONU uma 'distração'

Presidente ressaltou que seu país vai se opor à medida, pois acredita que ela atrapalha negociações de paz com Israel

iG São Paulo |

AFP
Obama deu as declarações em coletiva de imprensa (05/09)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta segunda-feira que considera a votação na Assembleia Geral das Nações Unidas para reconhecer um Estado palestino uma "distração" no caminho para a paz com Israel. Ele também reiterou que seu país vai se opor "com força" à medida no Conselho de Segurança.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) iniciou oficialmente na semana passada sua campanha para obter reconhecimento na ONU como Estado membro de pleno direito, pedido que apresentará na Assembleia Geral da organização no final de setembro. No entanto, os líderes devem escolher se o pedido deverá ser submetido ao Conselho de Segurança ou à Assembleia Geral.

Se submetido ao Conselho de Segurança, seria possível ao palestinos conseguirem um status de "país-membro da ONU", mas enfrentariam o veto dos Estados Unidos. Porém, se optarem pela segunda via - o reconhecimento pela Assembbleia Geral - eles precisariam de 129 votos a favor, ou seja, dois terços dos 193 membros.

O caminho da Assembleia Geral possibilitaria um status de "país observador não-membro da ONU", melhor se comparado ao de hoje que é de "entidade observadora". Essa nova classificação permitiria que os palestinos se tornassem membros de organizações como a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) ou do Tribunal Penal Internacional (TPI).

"Na Assembleia Geral, nós temos menos influência sobre esse processo, mas vamos continuar conversando com todas as partes para fazer com que toda ação em Nova York possa levar à retomada das negociações", destacou o presidente americano. "Apoiaremos tudo que ajudar a estabelecer negociações diretas e rejeitaremos tudo que atrapalhar seu desenvolvimento."

Obama disse ainda que o que ocorrer em Nova York pode chamar atenção da mídia, "mas não vai mudar o que se passa no terreno se israelenses e palestinos não negociarem". Ele ressaltou, no entanto, que Israel "fará dano a si memsmo" se adotar represálias econômicas contra a ANP, caso a votação na ONU prospere.

Tensão

A campanha palestina tem início em um mês de grande tensão no Oriente Médio, principalmente por causa da piora nas relações entre Israel e Turquia , devido a um relatório da ONU sobre um ataque israelense a uma frota humanitária turca no ano passado.

A frota tentava furar o bloqueio naval imposto por Israel e levar ajuda à Faixa de Gaza, e a ação militar israelense deixou nove turcos mortos. A Turquia exigiu um pedido de desculpas, que o governo israelense se recusou a fazer .

Outra preocupação de Israel é a situação na Síria, onde continua a violenta repressão aos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad. O temor é que o governo promova um fluxo de armas que recebe do Irã, seu aliado, para o grupo Hezbollah.

Um general israelense foi repreendido pelo Ministério da Defesa por declaração na qual previu uma possível guerra no Oriente Médio. Na terça, autoridades disseram que apenas pilotos veteranos farão a patrulha dos céus de Israel. Além disso, um alto oficial deve estar presente a todo momentos nos centros de controle para tomar decisões delicadas. “A diferença entre um erro tático e uma grande crise é mínima”, disse um militar, que não quis ser identificado.

* Com AFP, BBC, EFE

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