Macarena Vidal. Estrasburgo (França), 4 abr (EFE).- O presidente americano, Barack Obama, saiu satisfeito da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerrada hoje em Estrasburgo (França), na qual obteve o compromisso por parte dos países-membros da entidade do envio de cinco mil soldados e US$ 100 milhões ao Afeganistão.

"Esta não era uma conferência de doadores e, no entanto, houve o tipo de compromisso que historicamente não há em eventos como este", disse Obama, que insistiu durante entrevista coletiva após o fim da cúpula em que o número de soldados e pessoal de treinamento envolvido é "significante".

Segundo o presidente dos Estados Unidos, por tempo demais os esforços no Afeganistão "careceram dos recursos necessários para o cumprimento das metas" nesse país.

Visivelmente satisfeito, Obama afirmou que, a partir de hoje, "os recursos estão sendo adequados às necessidades".

De acordo com a Casa Branca, entre os países que enviarão mais tropas ao Afeganistão estão Alemanha, Espanha, Reino Unido, França e Itália.

Dos cerca de cinco mil soldados, em torno de três mil terão uma missão de curta duração: a de reforçar a segurança para as eleições afegãs de 20 de agosto e para um possível segundo turno.

O restante se dedicará ao treinamento das forças de segurança afegãs, uma tarefa para a qual a Otan criará um novo fundo de US$ 100 milhões, dos quais a maior parte virá da Alemanha.

Obama lembrou que os EUA já tomaram medidas para se reforçar e enviarão quase 21 mil soldados além dos 36 mil que já estão em território afegão.

Para o presidente americano, "os EUA não podem fazer frente a este desafio sozinhos".

Neste sentido, Obama reconheceu que o envio de mais soldados ao Afeganistão "representa um esforço em momentos muito difíceis" devido à crise econômica mundial.

O treinamento das forças afegãs é uma das prioridades da nova estratégia para o Afeganistão e Paquistão, centrada na destruição da Al Qaeda, a qual o presidente americano revelou na semana passada em Washington e que apresentou hoje aos integrantes da Otan.

Os países-membros da entidade deram seu sinal verde a essa estratégia com entusiasmo.

Segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o plano "está de acordo com o que os europeus pediam há tempos": o reforço da presença civil e a formação das forças afegãs.

Tanto Sarkozy como a coanfitriã da reunião da Otan, a chanceler alemã, Angela Merkel, elogiaram Obama e a "liderança" que, segundo eles, este demonstrou durante a cúpula.

Para o presidente turco, Abdullah Gül, seu colega americano desempenhou um papel mediador decisivo para conseguir que Ancara retirasse seu veto contra o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, para que este pudesse ser o novo secretário-geral da Otan, cargo cujo ocupante deve ser escolhido por unanimidade.

Também foram abordados no encontro, entre outros assuntos, o relacionamento com a Rússia e a adoção de um novo conceito estratégico para os desafios do século XXI.

Ao começo da sessão de trabalho esta manhã, Obama deu as boas-vindas a Croácia e Albânia como novos membros da Otan.

Entretanto, em sua entrevista coletiva, o presidente dos EUA se mostrou preocupado pelo impacto da crise econômica em áreas como a dos Bálcãs, já que defendeu "manter o foco na conquista da paz e na resolução dos problemas mediante negociações".

Obama partiu imediatamente rumo a Praga, a terceira etapa de sua viagem pela Europa, onde participará amanhã de uma cúpula com a União Europeia e de uma série de reuniões bilaterais. EFE mv/bba

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