César Muñoz Acebes. Washington, 21 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou hoje que fechará Guantánamo, apesar de o Congresso ter se recusado a conceder recursos para isso, e ainda declarou que existe a possibilidade de alguns dos presos ficarem em solo americano por tempo indeterminado.

"A prisão de Guantánamo debilitou a segurança nacional dos EUA.

Isso é para inflamar nossos inimigos", disse Obama, numa tentativa de contrariar os argumentos dos republicanos para manter a prisão aberta.

"Fecharemos a prisão", prometeu o presidente em discurso no Arquivo Nacional, prédio simbólico que preserva os documentos mais importantes do país, como a Constituição.

Imediatamente após o seu discurso, o ex-vice-presidente Dick Cheney, que se tornou a principal voz da oposição, alertou que "levar os piores dos piores terroristas para os EUA seria muito perigoso" e "motivo de arrependimento durante anos".

As declarações de Cheney, um dos arquitetos de Guantánamo, foram feitas no Instituto Empresarial dos EUA, um centro de estudos conservador, e logo repercutiram entre os líderes democratas no Congresso, que negaram os US$ 80 milhões que Obama tinha pedido para fechar Guantánamo até que fique claro como isso será feito.

Em resposta a Cheney, Obama descreveu seu plano para desativar a penitenciária, onde estão presos 240 homens.

O presidente disse que pretende criar um sistema legal que permita a prisão "prolongada" de alguns detidos, para evitar que eles ataquem os EUA no futuro.

O sistema seria destinado a pessoas que "não podem ser julgadas por delitos passados, mas que representam uma ameaça para a segurança dos EUA" por terem aliança declarada com Osama bin Laden ou por terem sido treinados em campos terroristas.

Obama disse que, se esse plano for aprovado, um sistema de supervisão judicial e legislativo das detenções também será criado.

Organizações de direitos humanos rejeitaram essa possibilidade e insistiram que os presos de Guantánamo devem ser julgados ou postos em liberdade.

Em seu discurso, o presidente disse que alguns deles serão transferidos para prisões de segurança máxima nos EUA e julgados, sempre que possível, em tribunais federais.

Além disso, o Departamento de Justiça anunciou hoje que transferirá o preso Ahmed Khalfan Ghailani para um tribunal federal de Nova York, onde será julgado pela suposta participação nos atentados contra as embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia, em 1998.

Ghailani será o primeiro prisioneiro de Guantánamo a ser processado em uma corte civil americana.

Recentemente, Obama ressuscitou os tribunais antiterroristas criados em Guantánamo pelo Governo de George W. Bush. Porém, fez algumas mudanças nas normas para garantir mais direitos aos acusados.

O presidente disse hoje que esses tribunais protegem informações classificadas e a apresentação de provas coletadas em campos de batalha, que não podem ser apresentadas em tribunais federais.

Além disso, o chefe da Casa Branca anunciou que seu Governo já começou a negociar a transferência, "com segurança", de 50 presos da base naval para países terceiros.

Até o momento, no entanto, a Administração de Obama teve pouco sucesso ao tentar convencer seus aliados europeus e muçulmanos a aceitar os presos de Guantánamo. Apenas a França concordou com a proposta e acolheu um dos detidos.

Obama disse ainda que seu Governo acatará a decisão dos tribunais de pôr 21 presos em liberdade, apesar de não ter dito para onde os prisioneiros serão enviados.

Anteriormente, seu Governo disse que poderia libertar alguns deles em território americano, mas Obama não repetiu a declaração hoje.

No Congresso, a maioria dos democratas não concordou com o presidente, temendo que algum detido em Guantánamo acabe em seus distritos, estejam livres ou presos.

Os republicanos têm advertido aos americanos que Obama quer mandar terroristas "para seu bairro". O presidente, por sua vez, criticou esses discursos, "desenhados para assustar as pessoas, em vez de informá-las".

E, ao apelar para a seriedade dos legisladores em seus comentários, lembrou: "Eu não sou o único nesta cidade que prometeu respeitar a Constituição". EFE cma/pg/sc

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