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Obama confirma fechamento de Guantánamo e critica bagunça de Bush

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira, em um grande discurso, em Washington, sua determinação de fechar a prisão de Guantánamo e defendeu com veemência a ideia de transferir alguns presos para solo americano, apesar da forte controvérsia suscitada por esta perspectiva.

AFP |

"Estamos começando a limpar o que é simplesmente uma bagunça", declarou num local simbólico, os Arquivos Nacionais, onde ficam guardadas a Declaração da Independência e a a Constituição dos Estados Unidos, ao se referir a Guantánamo.

No pronunciamento, no qual teve como objetivo retomar o controle de uma situação cada vez mais delicada, Obama se disse disposto a defender ao mesmo tempo a segurança dos americanos e os grandes valores dos Estados Unidos, deixando clara a sua convicção de que um não pode ser feito sem o outro.

"O preço que teríamos que pagar mantendo (Guantánamo) aberto superaria facilmente as complicações que seu fechamento implica", disse a respeito de uma polêmica que desviou os holofotes de sua mensagens de relançamento da economia e de reforma social.

As organizações de defesa das liberdades mostraram-se críticas. À direita, o ex-vice-presidente Dick Cheney deixou a entender que Obama comprometia a segurança dos americanos. E os parlamentares que querem um plano detalhado sobre o fechamento de Guantanamo parecem mais e mais exigentes.

Aliados democratas de Obama no Congresso recusaram-se a conceder a ele os 80 milhões de dólares pedidos para fechar a prisão. Eles temem que suspeitos de terrorismo sejam levados a solo americano, em prisões ou nas ruas e querem saber precisamente o que Obama pensa em fazer com os 240 detidos.

Obama fez uma vigorosa crítica às práticas antiterroristas de seu antecessor George W. Bush.

"Estamos prestes a limpar a bagunça deixada", declarou, ao falar sobre a prisão da base naval de Guantánamo, arrendada pelos Estados Unidos na ilha de Cuba.

"Com frequência, nosso governo tomou suas decisões baseando-se mais no medo do que na clarividência", disse. "Com frequência, nosso governo manipulou os fatos e as provas para adaptá-los a predisposições ideológicas".

Obama reconheceu a dificuldade dessa ruptura com o passado, mas afirmou: "podemos nos dar ao luxo de recomeçar do zero".

Desde a sua posse, o governo Obama é assombrado pelos fantasmas antiterroristas do governo Bush.

O presidente defendeu nesta quinta-feira a ideia de transferir detentos de Guantánamo para prisões de segurança máxima nos Estados Unidos, apesar da preocupação crescente com a possibilidade de uma transferência desses presos para o território americano.

"Guardem isto no espírito: ninguém jamais escapou de uma de nossas prisões federais (consideradas) Supermax, nas quais estão encarcerados centenas de terroristas", disse.

Ele tentou afastar as preocupações repetindo em diversas oportunidades que não faria nada que pudesse comprometer a segurança dos americanos.

Lembrou suas intenções: cumprir a decisão da justiça de libertar os prisioneiros que já foram julgados; fazer julgar o maior número possível de outros por tribunais civis ou, se não for possível, por tribunais militares; transferir os que restarem a terceiros países.

Admitiu que existia uma quinta categoria de prisioneiros: aqueles impossíveis de serem libertados, julgados ou transferidos para o exterior e que ainda representavam uma ameaça, deixando aberta para eles a possibilidade de uma detenção por tempo indefinido.

"Não libertaria pessoas que representam um perigo para os americanos", insistiu, correndo o risco de indignar as organizações de defesa das liberdades, que já estão consideravelmente insatisfeitas com algumas decisões tomadas por ele desde a posse.

Obama pediu que o debate não seja explorado com fins políticos.

E se pronunciou contra a formação de uma comissão independente sobre a era Bush, frisando que o Congresso e a Secretaria da Justiça poderiam parfeitamente investigar o que aconteceu nesse período.

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