Obama completará um ano de Governo com avanços e desafios não resolvidos

Macarena Vidal. Washington, 22 dez (EFE).- O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou à Casa Branca em janeiro passado com o lema Sim, Podemos, mas ao longo de seu primeiro ano de mandato esse otimismo se transformou gradualmente em um mais cauteloso Já veremos.

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Obama encerra o ano com várias conquistas: no começo de 2009 conseguiu a aprovação de um plano de estímulo econômico avaliado em US$ 787 bilhões; a economia evitou uma depressão e começou a crescer de novo; há poucos dias recebeu em Oslo o prêmio Nobel da Paz, e esta semana conseguiu a aprovação no Senado de uma moção de procedimento que abre caminho para a legislação da reforma do sistema de saúde que defende.

Mas também deixa muitos assuntos pendentes: a reforma migratória deverá esperar o ano que vem, e as guerras no Iraque e no Afeganistão não só continuam mas, no caso do país centro-asiático, vai se intensificar.

O que tinha transformado em uma das bandeiras de sua mudança em política externa, a luta contra a mudança climática, foi fechada esta semana na Cúpula de Copenhague com um mero acordo de pontos mínimos, arranhado após rodadas e rodadas de negociações e que o próprio Obama reconheceu como "insuficiente" Após sua chegada à Casa Branca, nos primeiros dias anunciou o fechamento da prisão de Guantánamo, um novo esforço pela paz no Oriente Médio e um enorme plano de estímulo econômico.

Por enquanto, apenas foi para frente o plano de estímulo. O processo de paz no Oriente Médio parece tão encalhado como sempre e o Governo reconheceu que não poderá fechar Guantánamo na data prevista, 20 de janeiro - mas continua tomando medidas com esse fim, e recentemente anunciou a aquisição de uma penitenciária em Illinois para acolher alguns desses presos.

Talvez seu pragmatismo tenha sido mais evidente em suas batalhas mais recentes, a mudança climática e a reforma da saúde. Em ambos os casos, para conseguir um consenso, teve que aceitar acordos muito abaixo de suas expectativas iniciais.

Mas, como observou em Copenhague, "se esperávamos conseguir (todos os objetivos), não alcançaríamos nenhum avanço".

E o que Obama quis fazer este ano foi avançar. Ou, em palavras de seu assessor político, David Axelrod, "semear agora para colher mais tarde".

Essa é a atitude que aplicou em sua política externa. Em cada nova visita ofereceu "um novo começo" nas relações de seu país.

Com a Rússia, pelo menos por enquanto, suas tentativas de criar confiança parecem ter dado resultados. Após anunciar o arquivamento de um sistema de defesa antimísseis na Europa, Moscou se mostra muito mais propicia a impor sanções contra o Irã. Ambos os países se encontram também a ponto de fechar um acordo de desarmamento nuclear que substitua o Start, que expirou no começo de dezembro.

No caso europeu, obteve o apoio dos aliados para sua nova estratégia no Afeganistão, que prevê o envio de reforços agora e o começo da retirada para julho de 2007. Obama anunciou no dia 1º de dezembro o desdobramento de mais 30 mil soldados americanos, e a Otan acrescentou mais sete mil.

Menos claro está o resultado de sua estratégia, por enquanto, em relação à China.

O presidente americano viajou a Pequim para uma visita de Estado pela qual recebeu diversas críticas em seu país diante da aparente falta de resultados. Obama buscava o apoio da China para a Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague e para sanções contra o Irã.

Na cúpula não arrancou um compromisso de pontos mínimos do Governo da República Popular da China até o último momento. E o país asiático se mantém inescrutável sobre suas intenções em relação ao programa nuclear iraniano.

Precisamente, o que acontecer com o Irã - outro país ao qual Obama ofereceu um novo começo, mas cujas tentativas de aproximação foram rechaçadas - será uma das primeiras pedras no sapato de sua política no próximo ano.

Os EUA deram ao Irã até o fim do ano para responder às ofertas internacionais sobre seu programa nuclear, sob pena de novas sanções. O respaldo que conseguir será um bom indicador do sucesso de sua política. EFE mv/ma/mh

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