Obama completa 1 ano na Presidência sem comemorações

Macarena Vidal. Washington, 19 jan (EFE).- Barack Obama completará nesta quarta-feira um ano na Presidência dos Estados Unidos sem comemorações especiais e, envolvido em questões políticas complicadas, já se prepara para um 2010 que pode ser decisivo para o sucesso de seu mandato.

EFE |

Assim, o presidente americano dedicou a terça-feira a promover um programa para a reforma no setor de educação em uma escola de ensino primário.

E amanhã, quando a histórica posse no Capitólio diante de dois milhões de pessoas fará um ano, sua agenda prevê como único ato público a comemoração pelo chamado National Mentoring Month.

O presidente, porém, naturalmente está hoje mais afastado do cenário festivo de há um ano, quando esteve em um show em sua honra em Washington liderado por artistas como os do U2, assim como do dia da posse, em que participou de vários bailes.

O atual clima político não é de festas. O país continua em crise econômica e a criação de emprego não decola. Os conflitos em Iraque e Afeganistão não só não terminaram, como, no caso deste último país, ganhou intensidade.

A popularidade do presidente, que após sua posse superava 70%, ronda agora apenas 50%.

E nos últimos momentos de seu primeiro ano no cargo Obama tem que lidar com eventos que ameaçam minar seus principais projetos políticos.

Entre outras coisas, hoje acontecem em Massachusetts eleições locais que, de acordo com quem sair vitorioso, podem obrigar Obama a mudar sua estratégia legislativa.

A democrata Martha Coakley disputa com o republicano Scott Brown a cadeira no Senado deixada vaga pelo senador Ted Kennedy, que a ocupou durante quase meio século.

Massachusetts é um dos estados mais democratas dos EUA, mas nos últimos dias e contra todas as previsões as pesquisas apontam um empate técnico entre os dois candidatos. Os analistas atribuem isso ao descontentamento do público com a reforma no setor de saúde, grande projeto legislativo de Obama.

Uma vitória de Brown acabaria com a maioria absoluta dos democratas no Senado, as 60 cadeiras com as quais podem evitar qualquer veto republicano na aprovação de uma lei, e poria em risco o andamento da reforma sanitária após um ano de intensas negociações.

Obama chega a um ano de Governo preocupado também com as tarefas de ajuda no Haiti, após o terremoto de uma semana atrás.

O presidente americano prometeu que os haitianos não serão esquecidos e apoiou não só uma contribuição de urgência de US$ 100 milhões, mas também a contribuição militar às tarefas de emergência.

Obama procura demonstrar que em momentos de crise pode atuar com decisão e mostrar solidariedade com um país vizinho. O Haiti conta com uma comunidade de cerca de dois milhões de pessoas em território americano.

Esta semana, o presidente americano também buscará se concentrar na economia e na criação de emprego, que já declarou que serão sua grande prioridade este ano.

Na quinta-feira, Obama deve se reunir com um grupo de prefeitos de várias partes do país para examinar caminhos de viabilizar a criação de postos de trabalho. Na sexta, irá a Ohio para ouvir as ideias dos cidadãos para melhorar a economia.

Segundo afirmou hoje o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, ao começar o novo ano de mandato "a prioridade será a criação de emprego".

Em sua agenda estará pendente também a reforma do sistema de imigração e a aprovação de medidas contra a mudança climática.

Porém, a economia tomará, como no ano que passou, boa parte de sua jornada de trabalho.

A menos que os cidadãos americanos comecem a perceber uma clara melhora da situação econômica, especialmente no que diz respeito à criação de emprego, Obama e os democratas podem sofrer um sério golpe dentro de dez meses, quando o país terá eleições legislativas.

EFE mv/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG