Obama começa na Arábia Saudita giro pelo Oriente Médio

RIAD - O presidente dos EUA, Barack Obama, chegou nesta quarta-feira à Arábia Saudita para conversas com o rei Abdullah, na véspera de um aguardado discurso que fará no Cairo na esperança de melhorar a imagem do seu país no mundo islâmico.

Redação com agências internacionais |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou nesta quarta-feira a Riad, na primeira etapa de uma viagem pelo Oriente Médio e Europa. O avião oficial do presidente americano, o Air Force One, pousou no aeroporto internacional da capital da Arábia Saudita às 14h22 locais (8h22 de Brasília).

A Arábia Saudita, tradicional aliado dos EUA, é um dos únicos países da região com um plano de paz abrangente para as relações entre o mundo árabe e Israel.


Obama se encontrou com o rei Abdullah no aeroporto / AP

Riad espera que Obama, ao contrário do antecessor George W. Bush, esteja disposto a pressionar Israel para alcançar uma solução baseada na coexistência de dois Estados, um israelense e outro palestino.

Americanos e sauditas também estão trabalhando em uma estratégia sobre o Irã, o rival regional xiita da Arábia sunita, suspeito de quer produzir armamento nuclear.

Segundo Obama, "era muito importante vir a este país, onde começou o Islã, e discutir com Vossa Majestade muitos dos assuntos com que lidamos no Oriente Médio".

"Tenho confiança em que, colaborando, EUA e Arábia Saudita podem conseguir progressos em uma série de assuntos e interesses mútuos", afirmou o presidente americano, que já tinha se reunido há dois meses com o rei saudita em abril em Londres, durante a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).

Já o rei Abdullah ressaltou os laços "históricos e estratégicos" entre EUA e Arábia Saudita, que remontam ao mandato de Franklin Roosevelt e ao rei Abdulaziz, nos anos 30.

O soberano também elogiou o presidente americano, ao qual considerou como "um homem distinto que merece estar nesta posição".

Obama, que é filho de um muçulmano e passou parte da infância em um país islâmico, a Indonésia, tenta reparar os danos à imagem dos EUA provocados pelas políticas de seu antecessor, George W. Bush, especialmente devido às guerras no Iraque e Afeganistão e aos abusos contra presos na chamada "guerra ao terrorismo." Esta é a primeira viagem oficial de Obama ao Oriente Médio desde que ele tomou posse, em janeiro deste ano.

Discurso no Egito

A atividade mais esperada de Barack Obama no Oriente Médio será o discurso dirigido ao mundo muçulmano que será proferido na quinta-feira, na Universidade do Cairo, no Egito.

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em seu discurso, Obama procurará demonstrar "que os Estados Unidos buscam um relacionamento diferente" com o mundo muçulmano.

Mas Obama alertou contra um excesso de expectativas para o discurso, que segundo ele é apenas um primeiro passo para abrir um diálogo mais amplo com o mundo islâmico.

"Afinal de contas, um discurso não irá transformar diferenças políticas muito reais e algumas questões dificílimas que cercam o Oriente Médio e a relação entre o Islã e o Ocidente," afirmou Obama antes de embarcar.

Depois do Egito, Obama segue para a Alemanha, onde deve se encontrar com a chanceler Angela Merkel e visitar o campo de concentração de Buchenwald.

No sábado, Obama segue para a França, onde participará, junto com o presidente Nicolas Sarkozy e o herdeiro do trono britânico, príncipe Charles, das comemorações do Dia D na Normandia.

Criação de um Estado palestino

Barack Obama pretende dar ao governo israelense entre quatro e seis semanas para que retire sua rejeição à criação de um Estado palestino e para que interrompa a expansão dos assentamentos, informou nesta quarta-feira o diário israelense "Ha'aretz".

Obama espera do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, uma "posição atualizada" para poder apresentar em julho um plano de paz preliminar que permita avançar em direção à paz no Oriente Médio, assinalou uma fonte oficial israelense ao jornal.

O dirigente americano exige que Israel aceite a criação de um Estado palestino e detenha a expansão das colônias judias em território palestino para resolver o conflito na região.

O chefe do Executivo israelense rejeitou as duas reivindicações e disse que "não se congelará a vida na Judéia e Samaria" (nomes bíblicos e oficiais da Cisjordânia).

Para os palestinos e a comunidade internacional, todas as colônias judias erguidas em território ocupado na Guerra dos Seis Dias (1967) são ilegais, e representam um sério obstáculo para a paz e a criação de um futuro Estado palestino.

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