Obama começa a desmantelar herança fiscal de George Bush

O presidente Barack Obama começou a reverter a herança fiscal recebida de George W. Bush, restabelecendo alíquotas de impostos mais altas sobre os maiores rendimentos e suprimindo benefícios fiscais concedidos a numerosas empresas.

AFP |

De acordo com o Livro Verde do Tesouro americano, deverá ser restabelecida a alíquota máxima de 39,6%, suprimida em 2001 pelo governo do presidente George W. Bush.

Em contrapartida, o documento anuncia reduções de impostos para a classe média, seguindo as promessas de campanha de Obama.

Estas modificações - se aprovadas - deverão entrar em vigor no exercício fiscal 2010-2011, diz o departamento do Tesoro em seu Livro Verde, no qual são detalhadas as receitas previstas no orçamento do Estado Federal.

O projeto deve ser aprovado pelo Congresso.

O governo Bush havia reduzido a maior alíquota do imposto de renda para pessoas físicas de 39,6% para 35% em 2001. Para o exercício em curso, essa taxa se aplica aos contribuintes com rendimento superior a 372.950 dólares anuais (por casal).

Segundo o Tesouro, o piso a partir do qual será aplicada a taxa de 39,6% a partir de 2011 será indexado à inflação.

O Livro Verde também anuncia que poderá entrar em vigor a alíquota de 36% (a segunda maior) para as famílias com rendimento superior a 250.000 dólares, e que havia sido reduzida para 33% em 2001.

As reduções de impostos prometidas à classe média por Obama vão alcançar 736 bilhões de dólares em 10 anos, o que deverá permitir a uma "família típica" economizar 800 dólares anuais.

As pequenas e médias empresas vão obter, por sua vez, reduções de impostos de até 100 bilhões de dólares no mesmo período, acrescentou o Tesouro.

"Mediante os benefícios fiscais concedidos a pequenas empresas e a famílias de classe média, assim como a aplicações em inovações, investiremos diretamente em nossas comunidades, criando novos empregos, encaminhando nossa nação para a recuperação", disse o secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

Inversamente, o governo anuncia a suspensão de várias dezenas de isenções fiscais que representam "centenas de milhares de milhões de dólares para o Estado".

O Tesouro anuncia assim o fim de vantagens fiscais para as companhias de petróleo, especialmente as que insidem sobre a exploração e a perfuração.

As pequenas e médias empresas americanas saem beneficiadas, podendo obter até 99 bilhões de dólares em reduções de impostos em 10 anos.

Já a Casa Branca revisou em alta sua previsão de déficit para o exercício fiscal em curso, em cerca de 90 bilhões de dólares, e outro tanto para 2009-2010. O governo trabalha, agora, com um déficit recorde de 1,84 trilhão de dólares em 2008-2009 e 1,25 trilhão no próximo ano.

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