O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve chegar a Copenhague em breve para acompanhar, nesta sexta-feira, o anúncio da cidade escolhida para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Obama será o primeiro presidente dos Estados Unidos a comparecer pessoalmente a cerimônia de anúncio e fará um discurso para apoiar a candidatura de Chicago para cidade-sede.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decide nesta sexta-feira entre as finalistas Chicago, Tóquio, Madri e Rio de Janeiro.

O anúncio sobre a decisão deve ser feito por volta de meio-dia, horário de Brasília.

Para vencer logo na primeira rodada, a candidata precisa de 50% dos votos dos membros do COI. Caso nenhuma das cidades alcance esse percentual, a candidata com menos votos é eliminada e se dá início então a uma nova rodada, até que o vencedor seja anunciado. Como são apenas quatro cidades, a votação terá, no máximo, três rodadas.

Em entrevista à BBC, o presidente do Comitê, Jacques Rogge, disse que acredita que "a competição será apertada".

"Segurança - não apenas física, mas também em termos de organização - é muito importante. Precisamos de uma vila olímpica muito boa, instalações impecáveis e um bom sistema de transporte. Se além disso conseguirmos um time local muito bom e um público caloroso, o jogo está quase no fim", disse.

Líderes
Obama decidiu na segunda-feira que compareceria ao evento e sua presença é considerada um "reforço" e um fator determinante na campanha de Chicago, tida como uma candidata forte, ao lado do Rio de Janeiro. A primeira-dama, Michelle Obama, chegou à cidade na quarta-feira para dar início ao apoio a Chicago e iniciar o lobby pela escolha da cidade.

Além de Obama, os líderes dos outros três países que representam as cidades que participam da competição também estarão presentes na cerimônia para reforçar a candidatura de suas cidades.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Copenhague na quarta-feira e disse que o Rio tem condições de competir com igualdade contra as demais candidatas a sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

"Nós queremos olhar para o mundo e dizer: 'Sim, nós podemos'", disse Lula em uma entrevista coletiva à imprensa internacional, usando o mesmo slogan da campanha presidencial de Obama em 2008.

O rei Juan Carlos, da Espanha, já está na cidade desde quarta-feira para ajudar a promover Madri, e os primeiros-ministros José Luis Zapatero, da Espanha, e Yukio Hatoyama, do Japão, também são esperados para as apresentações desta sexta-feira.

Fatores
Diversos fatores influenciam na decisão dos membros do COI para escolher a cidade-sede dos Jogos: apoio político e social, infraestrutura geral, esportes, instalações e estádios, vila olímpica, ambiente, segurança, transporte, acomodação, experiência, finanças e legado.

Além desses, no entanto, outros fatores pesam na decisão, como emoção, sentimento, geografia, política, interesse pessoal, entre outros - o que torna a previsão da escolhida quase impossível.

Apesar disso, um fator é considerado determinante no favoritismo de Chicago e Rio de Janeiro - a localização.

Isso porque, apesar de o COI não ter uma política de rodízio, acredita-se que o continente americano terá destaque, já que os prévios Jogos de Verão foram realizados na Europa, Ásia, Europa novamente e na Austrália.

Além disso, o Rio tem a oportunidade de ser a primeira cidade latino-americana a sediar as Olimpíadas, o que pode ser decisivo na escolha.

Recentemente, um dos membros do COI, Dick Pound questionou se o momento é certo para tentar um novo continente.

"Falando em políticas (do COI), o COI deve decidir se estamos prontos para ir a um novo continente (América do Sul). O momento é certo?", questionou.

Tóquio e Madri
Se por um lado, a localização pode favorecer Chicago e Rio de Janeiro, analistas indicam que o elemento geográfico pode pesar contra o Japão, vizinho da China, que acaba de sediar os Jogos.

A campanha do Japão, no entanto, se concentra em realizar jogos "compactos" e aposta na realização de jogos "verdes" e com grande potencial de desenvolvimento e renovação.

A Espanha defendeu sua colocação como país "confiável na realização de eventos esportivos", como afirmou o presidente, José Luiz Rodríguez Zapatero.

A cidade de Madri, que perdeu para Londres na campanha de 2005, também inclui na defesa de sua campanha o fato de já ter construído a maior parte das instalações para os Jogos.

Favoritismo
Na véspera do anúncio da decisão do COI, o favoritismo pelas cidades americana e brasileira se refletiu nas casas de apostas e nos cálculos de sites especializados em esportes.

Nas casas de apostas britânicas, Chicago era a favorita para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, embora sites especializados apontem o Rio de Janeiro como a cidade com mais chances de ser escolhida pelo COI nesta sexta-feira.

Em duas das principais casas de apostas da Grã-Bretanha - William Hill e Ladbrokes - Chicago aparece em primeiro lugar, seguida do Rio de Janeiro.

De acordo com Nick Weinberg, porta-voz da Ladbrokes, foi observado um aumento na preferência por Chicago depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que iria a Copenhague para defender sua candidatura.

Embora a maioria dos apostadores acredite que o COI anunciará Chicago como a sede dos Jogos de 2016, o website canadense GamesBids, especializado na cobertura de candidaturas a Olimpíadas, acredita que o Rio dever ser a cidade escolhida.

O GamesBids publica o índice BidIndex, feito a partir de uma modelo matemático baseado no histórico de decisões do COI.

De acordo com este índice o Rio de Janeiro continua na liderança entre as quatro cidades concorrentes, embora Chicago tenha praticamente encostado na cidade brasileira após o anúncio da viagem de Obama a Copenhague.

Outra página de internet especializada que acompanha a disputa, o Around The Rings, também aposta que o Rio de Janeiro é a cidade favorita para ser a sede dos Jogos em 2016, seguida de perto por Chicago. De acordo com o ranking do Around The Rings, Madri e Tóquio aparecem empatados.

* Colaborou Maria Luisa Cavalcanti, enviada especial da BBC Brasil a Copenhague

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