Obama cancela projeto que levaria americanos de volta à Lua

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cancelou um projeto da Nasa que levaria humanos de volta à Lua. O programa Constellation envolvia foguetes novos e uma nova nave tripulada chamada Orion para colocar astronautas na superfície lunar por volta de 2020.

BBC Brasil |

Mas na proposta de orçamento federal que apresentou nesta segunda-feira, Obama disse que o projeto está "acima do orçamento, atrasado e é pouco inovador".

O programa também estaria consumindo recursos de outras atividades da agência espacial americana, o presidente acrescentou. Ele planeja agora se voltar para o setor privado para financiar projetos.

A decisão de cancelar o Constellation foi imediatamente condenada por membros do Congresso que representam trabalhadores que dependem do programa.

Mudança de direção

O programa lunar Constellation foi iniciado pelo presidente George W. Bush após o acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003, que resultou na morte de sete astronautas quando a nave em que viajavam quebrou ao retornar à atmosfera da Terra.

A ideia era aposentar o avião espacial e substituí-lo por uma nova nave e novos foguetes capazes de enviar humanos para além da órbita da Terra.

Críticos, no entanto, diziam que o programa nunca foi financiado adequadamente. Quando surgiram dificuldades técnicas, começaram a haver atrasos no cronograma.

Obama está cancelando o Constellation apesar de a Nasa já ter gasto cerca de US$ 9 bilhões no projeto.

A proposta de orçamento do presidente prevê um investimento extra de Us$ 6 bilhões na Nasa nos próximos cinco anos - ao todo, o orçamento alocado para a agência espacial é de US$ 100 bilhões (o orçamento para 2011 seria de US$ 19 bilhões).

Ele quer que parte do investimento adicional seja usado para incentivar empresas privadas, para ajudá-las a desenvolver uma nova geração de sistemas de lançamento para transportar humanos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla inglesa).

Além de ser uma usuária desses foguetes e cápsulas, a Nasa também estabeleceria e monitoraria padrões no novo mercado, especialmente em questões relativas à segurança da tripulação.

"Uma forte indústria comercial americana de lançamentos especiais trará uma competição muito necessária, agirá como um catalizador para o desenvolvimento de novos negócios capitalizando o acesso mais barato ao espaço, ajudará a criar milhares de novos empregos e a reduzir o custo do acesso humano ao espaço", diz a declaração de orçamento.

A proposta de orçamento pede à Nasa que implemente um programa de pesquisa e desenvolvimento para apoiar futuros sistemas de foguetes que poderiam levar humanos "mais longe e mais rápido pelo espaço".

A proposta deve permitir ainda que os EUA ampliem as operações na ISS até pelo menos 2020.

Abrir mais espaço para a iniciativa privada em programas espaciais foi uma das recomendações de uma comissão formada no ano passado, por requisição de Obama, para analisar as opções dos EUA na áreas.

A inciativa poderia reduzir custos e apressar o desenvolvimento de tecnologias.

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