WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, fará no mês que vem no Egito um discurso ao mundo islâmico, na tentativa de restaurar os laços duramente afetados durante o governo de George W. Bush.

Muitos países árabes e islâmicos se irritaram com as invasões do Afeganistão e do Iraque, em 2001 e 2003, com os interrogatórios violentos contra suspeitos de terrorismo presos em Guantánamo, com os abusos a prisioneiros no Iraque e com a relutância de Bush em promover a paz entre palestinos e israelenses.

Obama prometeu na sua campanha presidencial que iria fazer um importante pronunciamento ao mundo islâmico, na capital de algum país muçulmano, nos primeiros meses de mandato. Há grande expectativa no mundo islâmico quanto à sua abordagem para o conflito israelo-palestino. A maioria dos muçulmanos considera que a política de Bush para a região era distorcida em favor de Israel.

Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, disse a jornalistas na sexta-feira que o discurso será feito em 4 de junho no Egito, mas não esclareceu se será no Cairo, a capital. O país há décadas é parceiro de Washington nos esforços pela paz no Oriente Médio, além de ser um dos principais beneficiários de ajuda militar e econômica dos EUA.

Mas a escolha do Egito, que tem um histórico negativo na questão dos direitos humanos, pode ofuscar a substância do discurso, e Gibbs se colocou na defensiva a respeito dessa questão durante entrevista coletiva na Casa Branca.

"É um país que de muitas formas representa o coração do mundo árabe", disse Gibbs. "O escopo do discurso, o desejo do presidente de falar (ao mundo islâmico) é maior do que onde o discurso será feito ou quem é a liderança do país."

A ex-secretária norte-americana de Estado Condoleezza Rice proferiu um importante discurso em 2005 no Egito, quando a popularidade dos EUA estava seriamente afetada pela guerra do Iraque.

Aquele discurso foi parte da "agenda democrática" promovida pelo governo Bush. Na ocasião, ela defendeu reformas em toda a região, falando especialmente do país anfitrião, o que despertou irritação no Cairo.

Já o governo Obama abandonou a ênfase da administração anterior na construção da democracia, e o discurso do presidente deve ser mais conciliador.

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