Obama busca ajuda europeia para o Afeganistão

BADEN-BADEN - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na sexta-feira que a Europa precisa ajudar mais os Estados Unidos a vencer a guerra do Afeganistão, e usou a sua imensa popularidade no continente para tentar obter concessões de aliados da Otan.

Reuters |


Saudado como herói pelas multidões em sua primeira viagem à Europa como presidente, Obama alertou aos líderes políticos e a estudantes numa reunião em Estrasburgo (França) que a Europa, por razões geográficas, está mais ameaçada pela Al Qaeda que os EUA.

"A Europa não deveria simplesmente esperar que os Estados Unidos arquem sozinhos com esse ônus", afirmou Obama, que apresentou no mês passado uma nova estratégia para o conflito afegão. "Trata-se de um problema conjunto, que exige um esforço conjunto."

Em seguida, ele participou de um jantar comemorativo dos 60 anos de fundação da Otan, como parte da cúpula da aliança, que ocorre na sexta e sábado em Estrasburgo e na vizinha Baden-Baden, Alemanha.

Apesar da popularidade de Obama, houve protestos contra a cúpula da Otan. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água para impedir que os ativistas se aproximassem do centro da cidade francesa. Na véspera, cerca de 300 manifestantes haviam sido detidos.

Uma discordância entre a Turquia e seus aliados europeus sobre quem deveria ser o próximo secretário-geral da Otan também ameaça o clima da cúpula. A decisão sobre o sucessor de Jaap de Hoop Scheffer, cujo mandato termina em 31 de julho, pode ser adiada.

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, defendeu a indicação do premiê dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. Mas, em Londres, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, manifestou insatisfação com a candidatura dele, por causa do comportamento do governo dinamarquês quando da polêmica sobre as caricaturas do profeta Maomé, em 2006.

Relutância europeia

Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reuniram-se separadamente com Obama antes da cúpula, mas não deram indicações de que enviarão mais soldados ao Afeganistão.

A Grã-Bretanha disse que cogitará o envio de um contingente extra para ajudar na segurança durante o processo eleitoral afegão, que culmina com a eleição presidencial de agosto.

Os EUA têm cerca de 38 mil soldados no Afeganistão, mais do que todos os outros países juntos. Obama ainda pretende enviar mais 17 mil soldados de combate e 4 mil para treinar autoridades locais.

Os líderes europeus relutam em enviar mais tropas para um conflito que é impopular em seus países, e preferem em vez disso focar nos esforços de reconstrução e desenvolvimento.

Adotando um tom mais conciliador do que seu antecessor, George W. Bush, Obama afirmou em entrevista coletiva ao lado de Merkel que entende que "após uma campanha longa no Afeganistão as pessoas se sintam cansadas da guerra, mesmo de uma guerra que é justa".

Ele declarou também que não espera que as tropas da Otan ajam no Paquistão, que ele declarou ser cenário de guerra tão importante para os EUA quanto o Afeganistão.

Sarkozy saiu da reunião com Obama elogiando a nova estratégia, mas deixou claro que a França não vai aumentar seu contingente, de 2 mil soldados. Prometeu, no entanto, mais ajuda no policiamento e treinamento.


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