O presidente Barack Obama pôs fim nesta segunda-feira à proibição ao financiamento federal a pesquisas com células-tronco embrionárias, imposta por seu sucessor, George W. Bush, prometendo uma nova fronteira para a ciência no país, livre de interferências políticas.

O presidente democrata assinou uma ordem executiva estabelecendo o fim da política de Bush no campo da bioética - que, segundo os críticos, dificultou os esforços dos cientistas para encontrar tratamentos para doenças graves como os males de Alzheimer, Parkinson e diabetes.

Argumentando que os cientistas americanos estavam desertando nos Estados Unidos para trabalhar em outros países, Obama disse que "os milagres médicos" só acontecem após uma pesquisa consciente, e recusou o "falso dilema" entre a ciência e os valores morais.

"Quando o governo não faz estes investimentos, oportunidades são perdidas. Caminhos promissores ficam inexplorados", declarou Obama na Casa Branca, louvando o potencial de pesquisa sobre as células tronco embrionárias para ajudar vítimas de doenças degenerativas ou acidentes graves.

Em 9 de agosto de 2001, os Estados Unidos proibiram o financiamento federal de pesquisa sobre estas células, obtidas a partir de embriões humanos.

Segundo os cientistas, as células-tronco embrionárias têm um enorme potencial para curar e tratar doenças, já que podem substituir células danificadas ou doentes e permitir a reconstituição de tecidos e órgãos.

Este tipo de pesquisa, no entanto, gera muita polêmica, por precisar destruir embriões humanos nos primeiros dias de seu desenvolvimento para extrair as preciosas células-tronco. Normalmente, são utilizados embriões deixados por casais em clínicas de fertilização artificial.

"Em última instância, não posso garantir que encontraremos os tratamentos e curas que buscamos, nenhum presidente pode prometer isso", disse Obama. "Mas posso prometer que tentaremos. Ativamente, de maneira responsável e com a urgência exigida para recuperar o tempo perdido".

Obama instruiu os Institutos Nacionais de Saúde (NHI, na sigla em inglês) a formular nos próximos 120 dias a orientação sobre como proceder com a pesquisa federal com células-tronco provenientes de laboratórios privados, como as clínicas de fertilização.

Diante de uma audiência de parlamentares americanos, cientistas - entre eles três vencedores do prêmio Nobel - e líderes religiosos, Obama também emitiu um memorando presidencial "restituindo a integridade científica às decisões do governo".

A decisão provocou uma reação raivosa por parte de grupos conservadores e pessoas que defendem a pesquisa apenas com células tronco de adultos.

"Obama prejudicou a proteção de vidas inocentes, dividiu ainda mais nossa nação, quando precisamos de mais unidade para enfrentar os desafios que temos diante de nós", declarou o líder republicano da Câmara de Representantes, John Boehner.

O cardeal católico americano, Justin Rigali, classificou o anúncio de Obama como "uma triste vitória dos políticos sobre a ciência e a ética".

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