Obama ataca políticas antiterroristas de Bush; Cheney rebate críticas

Teresa Bouza. Washington, 21 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que o país se afastou do caminho correto em matéria antiterrorista durante os últimos oito anos, afirmação rebatida pelo ex-vice-presidente Dick Cheney.

EFE |

Os dois fizeram discursos sobre segurança nacional, um tema que opõe republicanos e democratas e é objeto de um acalorado debate no país.

Obama, que falou na sede dos Arquivos Nacionais, edifício que abriga, entre outros documentos emblemáticos, o texto original da Constituição, reconheceu que os Estados Unidos haviam entrado em uma "nova era", após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York.

O presidente, no entanto, lamentou que o Governo de George W.

Bush tenha adotado uma série de "decisões apressadas" que não se inspiraram nos valores democráticos americanos.

O atual chefe da Casa Branca disse acreditar que essas medidas foram baseadas em um "desejo sincero" de proteger o povo americano, mas estiveram guiadas "frequentemente" pelo medo e pela falta de visão de futuro.

Obama criticou também a frequente manipulação de dados, para que se ajustassem às "predisposições ideológicas".

"Em vez de aplicar de forma estratégica nosso poder e nossos princípios, deixamos eles de lado com muita frequência como luxos que não nos podíamos permitir", ressaltou.

"E, nessa era do medo, muitos de nós, democratas e republicanos, políticos, jornalistas e cidadãos ficamos calados", insistiu o líder americano.

Ele afirmou ainda que "as decisões tomadas durante os últimos anos se basearam em um enfoque legal improvisado para lutar contra o terrorismo, que não era nem eficaz nem sustentável".

Obama lembrou que, desde que chegou à Casa Branca, no final de janeiro, já adotou várias medidas para proteger o povo americano, como a proibição de interrogatórios abusivos contra suspeitos de terrorismo.

"Sei que alguns afirmaram que métodos brutais como a asfixia simulada são necessários para nos manter seguros. Estou completamente em desacordo", ressaltou.

A essa decisão, disse, se soma a de fechar a prisão de Guantánamo e a de revisar todos os casos pendentes na prisão.

Quanto ao resto, e apesar de criticar as políticas da Administração anterior, Obama se negou a criar uma comissão independente que investigue os responsáveis do Governo.

O presidente americano explicou que se opõe a essa iniciativa por considerar que as instituições democráticas dos Estados Unidos são suficientemente fortes para exigir que os responsáveis prestem contas.

Por outro lado, minutos após o discurso as principais emissoras de televisão do país fizeram transmissões da sede do centro de estudos conservador American Enterprise Institute, de onde Cheney discordou de Obama.

"Nunca foi permitida a tortura e os métodos (de interrogação) foram revistos cuidadosamente do ponto de vista legal antes de ser aprovados", disse o ex-vice-presidente.

"Fui e continuo sendo um firme defensor de nosso programa de interrogatórios refinados", afirmou, para acrescentar que esses métodos, que incluíram a asfixia simulada, foram "legais, essenciais, justificados, bem-sucedidos e o correto".

O ex-vice dos Estados Unidos insistiu em que a decisão de Obama de proibir esse tipo de práticas é completamente "insensata".

"É uma temeridade encoberta de retidão que fará com que o povo americano esteja menos seguro", afirmou.

Cheney atacou também a decisão de Obama de revelar vários documentos que contam como o Governo de Bush deu autorização à CIA (agência central de inteligência) para endurecer os interrogatórios.

"Ao público foi dito menos da metade da verdade", afirmou Cheney, que ressaltou que não foi dito o que o Governo conseguiu descobrir graças "aos métodos em questão".

Cheney criticou também a decisão de Obama de fechar a prisão de Guantánamo.

"À Administração (de Obama) foi fácil receber aplausos na Europa pelo fechamento de Guantánamo, mas é delicado achar uma alternativa que sirva aos interesses da justiça e da segurança nacional dos EUA", disse Cheney.

O ex-vice insistiu em que essa decisão foi tomada com "pouca deliberação e sem um plano".

"Trazer terroristas que são o pior do pior aos Estados Unidos seria um grande perigo e um motivo de arrependimento durante anos", alertou. EFE tb/db

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