Washington, 22 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou hoje uma ordem executiva para o fechamento da prisão na base naval de Guantánamo, em Cuba, no prazo de um ano.

Obama também assinou outras duas ordens executivas que proíbem a tortura e os maus-tratos nos interrogatórios e o encarceramento de presos.

Uma quarta ordem trata especificamente de Ali al Marri, do Catar, e único "combatente inimigo" preso em solo americano.

Obama ordenou uma revisão de seu caso para determinar se este prisioneiro tem direito a apresentar processo para exigir sua liberdade, uma possibilidade que os tribunais dos EUA abriram aos presos em Guantánamo.

O presidente afirmou que com estas ordens "os Estados Unidos têm como intenção prosseguir a luta atual contra o terrorismo de maneira vigilante, efetiva e de acordo com seus valores e seus ideais".

"Estamos decididos a vencer esta luta, e vencê-la em nossos termos", assegurou.

Ao assinar a ordem para o fechamento de Guantánamo, declarou que com isso "não só cumpre" um compromisso de campanha, mas também um princípio que data da fundação do país.

"Estamos dispostos a respeitar parâmetros de conduta; não apenas quando for fácil, mas também quando for duro", acrescentou.

A ordem de fechamento foi assinada aconteceu após uma reunião do presidente com militares na reserva com os quais analisou a situação dessa prisão.

Poucas horas após sua posse, na terça-feira, Obama pedira aos juízes militares em Guantánamo a suspensão por 120 dias dos processos contra os presos que permanecem nessa prisão - cerca de 250, atualmente.

A detenção prolongada de suspeitos de terrorismo e sua permanência sem julgamento em uma base naval em Cuba, além de denúncias de torturas, receberam críticas de aliados de Washington, e de grupos defensores dos direitos humanos.

Durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu que fecharia Guantánamo, prisão criada em 2002 para os presos suspeitos de terrorismo capturados, em sua maioria, nas guerras no Afeganistão e no Iraque.

No fim de 2002, o então presidente George W. Bush estabeleceu tribunais militares que deveriam julgar a esses presos, classificados como "combatentes inimigos ilegais" e que, segundo seu Governo, não estariam amparados pelas convenções de Genebra nem pelas leis federais dos Estados Unidos.

Muitos permanecem presos até hoje sem que lhes tenham apresentado acusações ou fixado datas para julgamento. EFE mv/jp

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