O presidente americano, Barack Obama, montará uma nova equipe de elite subordinada à Casa Branca para interrogar suspeitos de terrorismo, em uma clara mudança tática em relação às políticas da guerra contra o terror de seu antecessor George W. Bush.

A decisão vai tirar da CIA a função de extrair informações destes suspeitos, já que a nova equipe trabalhará no FBI, sob ordens diretas do Conselho Nacional de Segurança, informou nesta segunda-feira um alto funcionário do governo, que pediu o anonimato.

Detalhes da nova abordagem do governo para lidar com suspeitos de terrorismo foram revelados paralelamente à expectativa criada pelo departamento de Justiça dos Estados Unidos, que se prepara para divulgar novos detalhes de casos de abusos contra prisioneiros, apurados em 2004, mas jamais liberados para o público.

Além disso, o movimento consolidará o polêmico esforço de Obama para estabelecer novos critérios de interrogatório, prisão e julgamento de suspeitos de terrorismo, o que inclui o fechamento da prisão de Guantánamo.

A nova unidade de interrogatórios será batizada de Grupo de Interrogatório de Prisioneiros de Alto Valor (HIG, na sigla em inglês), segundo o jornal The Washington Post.

O grupo será integrado por especialistas de diversas agências de inteligência e segurança, ainda de acordo com o Post, que cita altos funcionários da admnistração Obama.

Mudança radical

Obama, que entrou de férias para sair um pouco dos holofotes, assumiu o governo deixando claro que mudaria radicalmente os parâmetros estabelecidos por Bush para lidar com suspeitos de terrorismo, modificando, num primeiro momento, as políticas de transferência de prisioneiros e criando uma força tarefa para analisar a situação de suspeitos que estavam presos sem ter passado por qualquer processo legal.

Foi a força tarefa que recomendou a nomeação de uma nova unidade de interrogatórios, assim como outras medidas ligadas aos critérios de transferência de presos para outros países, indicou o Post.

A liberação, pelo departamento de Justiça, de mais detalhes do relatório de um inspetor geral da CIA que denuncia abusos contra prisioneiros da Al Qaeda também faz parte deste movimento.

As novas revelações podem comprometer funcionários da CIA e terceirizados, e expô-los mais tarde a processos por maus-tratos de prisioneiros.

O relatório afirma, por exemplo que interrogadores da CIA usaram uma arma de choque e uma pistola para intimidar o comandante da Al Qaeda Abd al-Rahim al-Nashiri.

Nashiri, capturado em novembro de 2002 e mantido por quatro anos em uma das prisões secretas da CIA. Principal suspeito do ataque contra o navio americano "USS Cole" no Iêmen, em outubro de 2000, foi submetido à simulação de afogamento (o "submarino", uma tortura que leva o torturado à beira da asfixia).

Uma recomendação para reabrir vários casos de abusos e torturas contra prisioneiros suspeitos de terrorismo foi feita recentemente pelo gabinete de responsabilidade profissional do departamento da Justiça e apresentada ao secretário Eric Holder.

Mas quando a CIA transmitiu o informe aos promotores, estes consideraram que nenhum dos casos merecia apresentação de denúncia ante a justiça, indica o New York Times.

Quando Holder assumiu - designado pelo presidente Barack Obama -, tomou conhecimento do tema e começou a retificar o rumo, acrescentou o jornal.

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