Obama apresenta seu plano de reforma do sistema educacional dos EUA

O presidente Barack Obama apresentou nesta terça-feira seu plano de reforma do sistema educacional, que visa a levar os Estados Unidos ao nível mais elevado de excelência e também eliminar as injustiças no ensino que afetam as minorias de seu país, principalmente a hispânica.

AFP |

Obama delineou um programa que se ocupa da educação em suas diferentes etapas, do jardim de infância até a pós-graduação, para para que "todo o sistema educacional dos Estados Unidos volte a ser invejado no mundo".

"Que não haja dúvidas, o futuro pertence à nação que melhor educar seus habitantes e, meus concidadãos americanos, nós temos tudo o que necessitamos para ser essa nação", indicou Obama, em sua primeira mensagem dedicada à educação desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro.

"A relativa deterioração da educação americana é insustentável para nossa economia, para nossa democracia e inaceitável para nossos filhos, e não podemos nos dar ao luxo de que isso continue assim", enfatizou.

Obama anunciou que o horário escolar será mais longo e que serão dedicados maiores recursos para pagamentos adicionais aos professores mediante um sistema de méritos, que será estendido a 150.000 distritos escolares adicionais.

O programa será financiado com dinheiro proveniente do enorme plano de estímulo econômico de 787 bilhões de dólares aprovado no mês passado, assim como com a economia que implicarão os cortes de planos que não provaram sua eficiência.

Obama reconheceu as injustiças no sistema educacional americano que afetam principalmente os negros e hispânicos.

"Alguns estão desperdiçando seus anos de ensino fundamental. Isso inclui um quarto de todos os jardins de infância que são hispânicos, que serão uma peça-chave na força de trabalho americana do amanhã, mas que são menos propensos a ter uma boa educação desde cedo".

Também lamentou que os hispânicos - principal minoria nos Estados Unidos com 45 milhões de pessoas - sejam os que mais sofrem com as demissões em massa dos últimos meses, já que teriam em média um nível de educação menor, assim como são os que possuem o maior índice de abandono escolar.

Obama disse que seu plano inclui injetar mais recursos nos programas para que os estudantes com risco de abandonar a escola não o façam, e para que os que já o fizeram retornem ao sistema educacional e tenham apoio para se formarem.

A revisão do sistema educacional apresentada pelo presidente ampliará a educação pré-escolar e fará com que a universidade seja mais acessível, melhorando os programas de bolsas.

O novo presidente manterá, no entanto, a grande reforma de seu predecessor, George W. Bush, a chamada "No child left behind" ("Nenhuma criança deve ficar para trás"), à qual dedicará maiores recursos, embora condicionados aos resultados obtidos.

Obama, que enfrenta a crescente crítica de certos analistas e opositores que alegam que ele está executando uma agenda muito radical, e dizem que deveria, em compensação, voltar todos os esforços em encarar a crise econômica, evocou os grandes presidentes do passado para defender seus ambiciosos planos.

Quando completa exatamente 100 dias no comando do país, Obama disse que os presidentes Abraham Lincoln, Franklin Roosevelt e John Kennedy abriram múltiplas frentes de reforma ao mesmo tempo em que encabeçavam os principais desafios de sua geração.

"Sei que alguns acham que só podemos conduzir um desafio por vez", afirmou Obama durante um discurso na Câmara do Comércio hispânica.

"Essas pessoas esquecem que Lincoln ajudou a começar o trem transcontinental, promulgou o Homestead Act (lei de terras para colonos) e criou a Academia Nacional de Ciências em meio à guerra civil", assinalou.

"Da mesma maneira, o presidente Roosevelt não teve o luxo de escolher entre acabar com a depressão e travar uma guerra".

"O presidente Kennedy não teve o luxo de escolher entre os direitos humanos e nos enviar à Lua", insistiu.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, os estudantes americanos são os últimos colocados em termos de leitura, matemáticas e ciências entre os escolares dos países industrializados, enquanto que o custo por aluno é um dos mais elevados.

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