Washington, 7 dez (EFE).- O ex-chefe do Exército dos Estados Unidos Eric Shinseki, que deixou esse cargo após suas divergências sobre a invasão do Iraque, será o encarregado no Governo de Barack Obama de zelar pelos 23,4 milhões de veteranos de guerra que há no país.

A nomeação foi anunciada hoje pelo presidente eleito em coletiva de imprensa convocada em Chicago, a sétima desde que venceu as eleições, e coincidindo com o 67º aniversário do ataque de Pearl Harbor.

O general, condecorado da Guerra do Vietnã, compareceu sozinho com Obama, um gesto que revela a importância do cargo que vai assumir, pois dirigirá o Departamento de Assuntos de Veteranos, a segunda maior agência federal, atrás apenas do Departamento de Defesa, com quase 280 mil empregados.

Os EUA, com várias guerras travadas, têm nas suas costas cerca de 23 milhões de veteranos, um grupo maltratado pelas seqüelas físicas e psíquicas, e que em alguns casos acabam vivendo na rua vítima do desemprego ou da perda de sua casa.

"A guerra não acaba quando voltam para casa", disse hoje Obama.

"Muitos voltam do Iraque ou do Afeganistão feridos e com síndromes pós-traumáticas, e poucos deles recebem o tratamento que merecem", acrescentou.

A isso se soma o fato de que os soldados que retornem nos próximos meses encontrarão uma economia em crise.

"Temos que fazer mais para assegurar que quando nossas tropas voltem para casa, encontrem trabalhos que paguem bem, lhes dêem benefícios sociais e as ajudas para sustentar suas famílias", assinalou Obama.

Essa tarefa, a de melhorar e modernizar os serviços prestados aos veteranos, é a que o presidente eleito encomendou ao general Shinseki, de 66 anos e de ascendência japonesa, um general condecorado com quatro estrelas e com 38 anos de serviço.

Em seu discurso perante a imprensa, Shinseki reconheceu que muitos soldados "retornam do Iraque e do Afeganistão com ferimentos graves, alguns visíveis e outros não".

"Sempre é difícil para eles retomar sua vida, e mais ainda em um momento de crise econômica", afirma Shinseki, que disse ainda que eles "merecem uma transição tranqüila de volta à vida civil".

Shinseki, que chegou ao comando do Exército em 1999, protagonizou vários enfrentamentos com o Governo Bush, e especialmente com o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, com quem teve diferenças sobre como reformar as Forças Armadas.

Entre outras disputas, Rumsfeld cancelou o custoso programa de obus Crusader, apesar da oposição de Shinseki e do secretário do Exército Thomas White.

Além disso, tanto Shinseki como White insistiram, antes da Guerra do Iraque, em que fariam falta centenas de milhares de soldados para ocupar e controlar esse país, de encontro às afirmações do Pentágono e do Governo, que preferiam uma força menor.

White foi demitido por Rumsfeld em abril de 2003, justo após o final dos principais combates no Iraque, enquanto o chefe do Pentágono já tinha anunciado a passagem à retirada de Shinseki no ano anterior, muito antes do previsto.

Quando Shinseki se retirou, nem Rumsfeld nem o ex-subsecretário de Defesa de EUA Paul Wolfowitz foram a sua cerimônia de despedida.

Curiosamente, Shinseki deixou o Exército no mesmo tempo que o General James L. Jones, nomeado por Obama como seu novo Conselheiro de Segurança Nacional, e que também se mostrou crítico com a forma como tinha sido feita a invasão no Iraque.

Apesar suas posturas críticas, a nomeação de Shinseki gerou elogios, como os do general reformado e ex-secretário de Estado de Bush, Colin Powell, que considerou a "escolha estupenda".

Shinseki, que da mesma forma que Obama nasceu no Havaí, foi ferido no Vietnã, onde perdeu parte de seu pé direito. EFE pgp/rr

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