Por Ross Colvin WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou nesta sexta-feira uma nova estratégia do país para o Afeganistão e o Paquistão, e disse que o principal objetivo é destruir a Al Qaeda.

Obama afirmou em discurso que a situação no Afeganistão estava "cada vez mais perigosa".

"Várias estimativas de inteligência alertaram que a Al Qaeda está ativamente planejando atacar o território dos Estados Unidos a partir de seu porto seguro no Paquistão", disse Obama.

Como parte da nova estratégia, o presidente pretende enviar milhares de soldados para treinar forças afegãs, numa tentativa de também conter a insurgência do Taliban.

Um comandante do Taliban ironizou o plano, dizendo que o envio de 4.000 soldados adicionais não fará diferença.

Os EUA vão procurar a Rússia, a China, a Índia e até o Irã como parte de um "agressivo esforço regional", que também reconhece o Paquistão como teatro de guerra.

"Pela primeira vez, estamos abordando este problema como dois países -- Afeganistão, Paquistão --, mas um só desafio e um só teatro para a nossa diplomacia e nossos esforços de reconstrução. Vemos isso como um problema integrado", disse um dos funcionários do governo, sob a condição de anonimato, antes do anúncio do plano.

Num sinal da fragilidade da segurança no Paquistão, um homem-bomba matou pelo menos 48 pessoas numa mesquita da região de Khyber, região tribal no noroeste do país, onde há presença de militantes da Al Qaeda e do Taliban, segundo uma autoridade local.

Além disso, a violência no Afeganistão está no seu nível mais elevado desde a invasão norte-americana de 2001. A milícia islâmica ampliou fortemente seus ataques, frequentemente operando a partir de refúgios no lado paquistanês da fronteira.

Obama, que critica seu antecessor George W. Bush por ter priorizado a guerra do Iraque à do Afeganistão, determinou uma revisão da estratégia no Afeganistão logo depois da sua posse, em 20 de janeiro.

"Não se trata de uma reversão para um foco mais estreito na Guerra ao Terrorismo", disse Alex Thier, especialista em Afeganistão do Instituto da Paz, em Washington.

Ele afirmou que, embora o governo Obama cite a intenção de perseguir a Al Qaeda, ele também está se comprometendo com um esforço mais amplo no sentido de estabilizar o Afeganistão. "Trata-se de um plano abrangente para lidar com uma região crítica e instável".

Pelo plano, os 4.000 instrutores militares irão se incorporar à força afegã, enquanto centenas de funcionários civis dos EUA irão reforçar os programas de reconstrução e desenvolvimento, que carece de verbas suficientes.

Os instrutores são um contingente adicional aos 17 mil soldados que Obama já determinou que sejam enviados ao Afeganistão para ajudar a estabilizar o país antes da eleição presidencial de agosto.

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