Obama aponta Estados israelense e palestino como única solução ao conflito

Macarena Vidal. Cairo, 4 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, insistiu hoje, em seu discurso ao mundo muçulmano, na necessidade da coexistência de um Estado israelense e de outro palestino como única solução possível para o conflito no Oriente Médio.

EFE |

Em seu esperado discurso, no auditório da Universidade do Cairo, Obama lançou uma mensagem de reconciliação, mas destinou atenção especial ao conflito israelense-palestino, e para isso escolheu frases insolitamente taxativas em um líder americano.

Obama não fez concessões a nenhuma das partes. Diante do público muçulmano lembrou que "ameaçar Israel com a destruição, ou repetir qualificativos desprezíveis, só serve para evocar nas mentes dos israelenses a memória do Holocausto".

Mas também ressaltou que "a situação do povo palestino é intolerável, e os EUA apoiam a legítima aspiração palestina à dignidade, à oportunidade e a um Estado próprio", em uma das frases que gerou mais aplausos.

Obama, como já tinha advertido a Casa Branca, não apresentou um plano de paz, como queriam alguns países árabes.

Mas repetiu seu compromisso pessoal em fazer o possível para conseguir o fim do conflito, como prometeu desde sua chegada à Casa Branca, e enumerou o que, segundo ele, será necessário por parte de todas as partes envolvidas para conseguir a paz na região.

Os palestinos, disse, devem "abandonar a violência".

"Não é um sinal de coragem ou de poder disparar foguetes contra crianças que estão dormindo, ou fazer voar pelos ares idosas em um ônibus", disse.

"Assim, não se obtém a autoridade moral, é assim que a perde", disse Obama a um auditório praticamente cheio, que o aplaudiu mais de 30 vezes em discurso de 55 minutos.

Além disso, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) deve governar de modo que resolva as necessidades de seu povo, disse.

Segundo Obama, o grupo radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza e conta com o apoio de grande parte da população nos territórios ocupados, deve "pôr fim à violência, reconhecer acordos passados e o direito de Israel de existir".

Ao mesmo tempo, disse, os israelenses devem reconhecer que, se não é possível negar o direito de seu país de existir, "também não se pode negar o da Palestina".

Nas declarações mais firmes sobre o assunto pronunciadas por um líder americano, Obama também disse que os EUA "não aceitam a legitimidade" dos assentamentos israelenses, e "é hora de estes assentamentos pararem".

Além disso, Israel "deve cumprir suas obrigações para garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade".

O presidente americano, que ao longo das últimas semanas se reuniu com uma série de líderes da região, já expressou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a mesma ideia na reunião entre eles em Washington, em 18 de maio.

O Governo israelense suspendeu a expansão de alguns assentamentos de menor tamanho, mas se nega a cancelar a ampliação dos de maiores dimensões, dentro do que considera um "crescimento natural" de sua população.

Mas a responsabilidade da paz, insistiu Obama, não é só de israelenses e palestinos. Os países árabes também devem fazer sua parte: devem ajudar os palestinos a desenvolver as instituições necessárias para sustentar um Estado, reconhecer a legitimidade de Israel e "escolher o progresso em vez de um olhar ao passado que só leva à autoderrota".

Segundo Obama, "não podemos impor a paz", mas muitos muçulmanos reconhecem, em particular, que Israel não vai desaparecer, e muitos israelenses admitem a necessidade de um Estado palestino.

"Chegou o momento de agirmos a favor do que todos sabem que é verdade", disse.

Embora ainda seja cedo para ver o efeito do discurso, as primeiras reações entre o público pareceram positivas.

O reitor da Universidade do Cairo, Hossam Kamel, afirmou que o presidente americano tinha adotado "o tom justo", graças a suas respeitosas referências ao Corão e à cultura muçulmana.

Um jornalista egípcio que não quis informar o nome disse que, "pela primeira vez, um presidente americano nos falou como pessoas adultas, não como crianças". EFE mv/an

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