Obama anuncia retirada da maior parte das tropas do Iraque até agosto de 2010

O presidente Barack Obama anunciou nesta sexta-feira a partida da maior parte das tropas americanas do Iraque até o fim de agosto de 2010, para deixar uma força reduzida de algumas dezenas de milhares de homens antes da retirada total, prevista para antes do fim de 2011.

AFP |

"Nossa missão de combate no Iraque estará encerrada até o dia 31 de agosto de 2010", declarou Obama diante de milhares de marines da base de Camp Lejeune, na Carolina do Norte (sudeste dos EUA).

Obama destacou que uma força de 35.000 a 50.000 homens permanecerá no país árabe a partir desta data para uma nova missão de treinamento das forças iraquianas, de proteção dos funcionários americanos e de luta contra o terrorismo.

"Pretendo retirar todos os soldados americanos do Iraque até o fim de 2011", conforme um acordo concluído no fim de 2008 entre o governo de George W. Bush e as autoridades iraquianas, afirmou.

Obama, um dos raros políticos americanos a ter se posicionado desde o início contra a guerra no Iraque, vai concretizar, assim, sua promessa de acabar com um conflito com vai entrar em seu sétimo ano e que dividiu profundamente os americanos e a comunidade internacional.

Obama explicou sua estratégia destacando que a situação no Iraque melhorou, mesmo se "a violência continue a fazer parte da vida dos iraquianos". Ele lembrou que suas prioridades não são as mesmas que as de seu predecessor George W. Bush, e argumentou que esta retirada do Iraque permitirá um maior esforço militar no Afeganistão.

A ideia também é pressionar os dirigentes iraquianos. "A retirada de nosso exército envia uma mensagem clara ao Iraque, de que seu futuro está agora em suas mãos", declarou Obama, que ligou para o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, no avião que o levava para a Carolina do Norte.

Em Bagdá, Maliki reiterou sua confiança "em nossas forças armadas e em nossos serviços de segurança para proteger o país e consolidar a segurança e a estabilidade".

O presidente americano prometeu um "esforço político, diplomático e civil considerável" para ajudar o Iraque. A nova oferta de diálogo feita ao Irã e à Síria, vizinhos do Iraque e principais inimigos dos Estados Unidos na região, se inscreve neste esforço, ressaltou Obama, que também anunciou a nomeação do diplomata Christopher Hill como embaixador em Bagdá.

Segundo vários políticos, as eleições parlamentares de dezembro marcarão uma nova etapa no processo de reconstrução do país, e a retirada militar americana deverá se acelerar em seguida.

Um destes líderes ressaltou que Obama poderá mudar seus planos, se for necessário.

O anúncio de Obama ganhou o apoio do republicano John McCain, seu adversário durante a campanha presidencial. "O plano é arriscado, mas acho que é um plano aceitável", declarou.

O porta-voz de OBama, Robert Gibbs, informou que o presidente também ligou para Bush, "por uma questão de cortesia".

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