Obama anuncia novas medidas de segurança

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta quinta-feira, novas medidas de segurança ao apresentar os resultados de um relatórios sobre as investigações iniciais do atentado frustrado em um voo que ia para Detroit no dia de Natal. Entre as medidas anunciadas por Obama estão um fortalecimento no critério usado para adicionar pessoas na lista de monitoramento para os considerados suspeitos de terrorismo pelo país.

BBC Brasil |

Além disso, Obama disse ainda que os EUA passarão a usar mais scanners e outros equipamentos tecnológicos nos aeroportos.

"Expandiremos o uso de sistemas de detecção, inclusive da tecnologia com imagens", disse o presidente em um discurso na Casa Branca.

As medidas foram detalhadas pela secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, logo após o discurso de Obama.

Segundo ela, os novos scanners serão adotados para tentar antecipar as maneiras de se embarcar com itens perigosos em aviões e anunciou ainda que o desenvolvimento de novas tecnologias de imagem será acelerado pelo governo.

A secretária afirmou que o governo americano incentivará aeroportos de outros países a também reforçarem seus esquemas de segurança.

Napolitano deve viajar à Espanha neste mês para um encontro com outros secretários de Segurança para buscar medidas mais rigorosas na segurança da aviação internacional.

Falhas
O resumo do relatório, de seis páginas, apresentado por Obama, afirma que o serviço de inteligência do país possuía alguns fragmentos de informações para identificar o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab como um operador da Al-Qaeda e para impedir seu embarque.

As informações teriam sido recebidas já em outubro de 2009.

Ainda de acordo com o documento, apesar de saber que um operador da Al-Qaeda no Iêmen representava uma ameaça para a segurança dos EUA, os agentes não se focaram nessa ameaça e não conectaram os fragmentos de dados, o que seria necessário para desvendar o esquema.

Segundo o texto, houve um atraso na disseminação de um relatório completo da inteligência e uma falha da CIA, a agência central de inteligência dos EUA, e dos agentes antiterrorismo para buscar todos bancos de dados por informações que poderiam levar a Abdulmutallab.

'Guerra'
Durante a apresentação dos resultados das investigações sobre a tentativa de atentado contra os EUA, Obama disse que o documento indica "uma série de erros humanos" e que o fracasso em prevenir o ataque não foi de um único indivíduo.

Apesar disso, o presidente assumiu a responsabilidade pelas falhas que levaram ao atentado frustrado.

"Quando o sistema falha, é minha responsabilidade", disse o presidente.

Obama voltou a falar em "falhas sistêmicas" nos serviços de inteligência e ressaltou que não houve falha na coleta de informações, mas em "conectar e compreender" as informações que o governo já possuía.

Segundo ele, o país "está em guerra com a Al-Qaeda".

"Estamos em guerra, estamos em guerra com Al-Qaeda e vamos fazer o que for preciso para derrotá-los", afirmou.

Na quarta-feira, um tribunal da cidade americana de Detroit indiciou Abdulmutallab por seis crimes, inclusive tentativa de assassinato e tentativa de usar armas de destruição de massa.

Ele deve comparecer a um tribunal para ouvir as acusações nesta sexta-feira.

Logo depois da tentativa de ataque, o governo dos Estados Unidos introduziu novas regras para a revista de passageiros que chegam nos aeroportos do país vindos de países que acredita ter ligações com terrorismo.

A Autoridade de Segurança em Transportes dos Estados Unidos informou que as novas regras se aplicam a passageiros que chegam ou passam pela chamada lista de "Estados Patrocinadores do Terrorismo", elaborada pelo Departamento de Estado americano.

Os passageiros com voos procedentes da Nigéria, Paquistão, Síria, Irã, Sudão, Cuba, Iêmen, Afeganistão, Argélia, Iraque, Líbano, Líbia, Arábia Saudita e Somália terão suas bagagens de mão revistadas e também serão revistados individualmente por policiais.

Como parte do novo sistema de segurança, passageiros que viajam de qualquer outro país para os Estados Unidos também passarão por revistas aleatórias.

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