Obama anuncia mudanças em segurança de aeroportos e serviços de inteligência

Teresa Bouza. Washington, 7 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje mudanças para melhorar os serviços de inteligência e a segurança nos aeroportos do país com o objetivo de evitar incidentes como a tentativa de atentado contra um avião da Northwest Airlines no último dia 25.

EFE |

Obama pediu que a Agência Central de Inteligência (CIA), o FBI (Polícia federal americana) e outras agências investiguem "imediatamente" as pistas sobre ameaças terroristas.

O presidente americano também solicitou a distribuição dos relatórios de inteligência de forma "mais ampla e rápida" e a melhora dos sistemas de análise e do funcionamento das listas de vigilância de terroristas.

Além disso, Obama disse que os EUA aumentarão o uso de tecnologia de registro dos passageiros, incluídos os scanners corporais.

"Expandiremos o uso de sistemas de detecção, incluindo tecnologia com imagens", anunciou.

O presidente americano insistiu em que os serviços de inteligência falharam no momento de cruzar informações e impedir que o jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab embarcasse com explosivos na cueca em um voo entre Amsterdã e Detroit.

Mesmo assim, disse estar menos interessado em apontar culpados do que em "aprender com os erros" e assegurou que, "em última instância, a responsabilidade é minha", parafraseando as famosas palavras do ex-presidente americano Harry Truman (1945-1953).

Obama também falou que a inteligência americana tinha pedido informações sobre a ramificação da rede terrorista Al Qaeda no Iêmen, a qual foi ligada ao atentado fracassado pelos EUA.

Para o presidente americano, apesar desses dados, os responsáveis pela área de inteligência não deram prioridade a informações "relacionadas a um possível ataque contra" os EUA.

Por sua vez, isso impediu chegar à conclusão de que Abdulmutallab estava planejando um ataque e incluir seu nome na lista de pessoas que não podem viajar de avião dentro dos EUA e para o país, disse.

"Em vez de uma falha no momento de recolher ou compartilhar informação de inteligência, esta foi um falha no momento de conectar e entender o que já tínhamos", destacou Obama.

Segundo o presidente americano, as mudanças anunciadas melhorarão "a capacidade da comunidade de Inteligência de obter, compartilhar, integrar, analisar e agir" de forma rápida e efetiva.

Obama afirmou que "a maioria dos muçulmanos rejeita a Al Qaeda", e que "está cada vez mais claro que buscam recrutar indivíduos sem vínculos conhecidos com terroristas, não só no Oriente Médio, mas também na África e em outros lugares".

O chefe de Estado americano disse ter pedido a sua equipe de segurança nacional para que desenvolva uma estratégia para enfrentar os "desafios colocados por esses recrutas solitários".

"É por isso que devemos comunicar claramente aos muçulmanos ao redor do mundo que a Al Qaeda não oferece nada mais do que uma visão deturpada de miséria e morte, incluindo o assassinato de outros muçulmanos", afirmou.

Obama adiantou que os EUA estão preparados para reforçar seu sistema de defesa, mas prometeu que o país não sucumbirá a "uma mentalidade persecutória que sacrifica as liberdades e valores que celebramos como americanos".

Depois de Obama, falaram a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, e o assessor do presidente para o combate ao terrorismo, John Brennan.

Segundo Napolitano, existem atualmente nos aeroportos dos EUA 40 scanners corporais especiais capazes de detectar explosivos e lembrou que pelo menos outros 300 serão instalados ainda neste ano.

A secretária ressaltou que "os registros nos aeroportos internacionais são críticos" e que discutirá a importância da adoção de medidas adicionais no mundo todo durante a reunião que terá em Madri no final do mês com representantes europeus de sua área.

Brennan lembrou que os EUA sabiam que a ramificação da Al Qaeda no Iêmen almejava cometer um atentado em território americano e advertiu que agora ficou claro que é um grupo "muito preocupante e letal".

Abdulmutallab reconheceu durante os interrogatórios que recebeu treinamento da Al Qaeda no Iêmen. EFE tb/bba

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