Obama anuncia manutenção dos tribunais de exceção para julgar suspeitos de terrorismo

WASHINGTON - O presidente Barack Obama anunciou nesta sexta-feira a manutenção dos tribunais militares de exceção, criados por George W. Bush para julgar alguns suspeitos de terrorismo presos em Guantánamo.

Redação com agências internacionais |

Em comunicado, Obama anunciou mudanças nas regras de funcionamento dos tribunais, com o objetivo de reforçar os direitos dos suspeitos. Entre as novidades está a obrigação de ignorar as provas obtidas com métodos de interrogatório que possam ser considerados tortura.

Segundo Obama, as reformas contribuirão para restabelecer os tribunais militares "em seu papel de servir à justiça de forma legítima, e os colocará ao mesmo tempo sob a autoridade da lei".

Estabelecidos pelo governo de George W. Bush e criticados por organizações defensoras dos direitos humanos, os julgamentos militares de supostos extremistas na base norte-americana de Guantánamo foram suspensos por 120 dias logo após a posse de Barack Obama, em janeiro deste ano.

Na ocasião, Obama classificou estes tribunais militares como "ineficientes" e afirmou que os Estados Unidos estariam entrando "em uma nova era de respeito aos direitos humanos".

Segundo Adam Brookes, correspondente da BBC em Washington, ainda não está claro onde estes tribunais militares serão instalados, já que, dias após sua posse, Obama também assinou um decreto determinando o fechamento da prisão na base de Guantánamo no prazo de um ano.

A decisão de manter os tribunais militares deve gerar protestos de organizações de defesa dos direitos humanos, que já têm se manifestado contra o fato de Obama não ter feito maiores modificações na política da "guerra contra o terror" de seu antecessor, George W. Bush.

No começo da semana, Obama decidiu se posicionar contra a divulgação de fotos de supostos abusos de prisioneiros, revertendo uma promessa anterior. Obama afirmou que as fotografias poderiam colocar em risco os soldados norte-americanos no exterior.

Libertação

Também nesta sexta-feira, autoridades norte-americanas teriam libertado um prisioneiro de Guantánamo, o argelino Lakhdar Boumediene, que virou referência por ter contestado sua detenção na Suprema Corte.

De acordo com autoridades que pediram anonimato, Boumediene foi libertado e levado de Guantánamo para a França, onde parentes o esperavam.

A França havia dito anteriormente que aceitaria Boumediene para honrar uma promessa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Obama.

(Com informações da BBC, da Reuters e da AFP)

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