Obama anuncia logo no primeiro dia regras rígidas para sua administração

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, determinou nesta quarta-feira regras estritas de transparência à administração americana, que será isolada dos influentes grupos de pressão de Washington, ao mesmo tempo em que anunciou o congelamento dos salários de seus principais funcionários na Casa Branca. Segundo o governo, o teto salarial será de 100.000 dólares por ano.

AFP |

No primeiro dia de trabalho depois de sua posse, o novo chefe de Estado reuniu seus principais colaboradores no Executive Office Building, um edifício próximo à Casa Branca.

"Houve segredos demais nesta cidade durante muito tempo", afirmou Obama, que fez campanha no tema da "mudança em Washington".

"As regras antigas diziam que se existissem argumentos defensáveis para não revelar alguma coisa aos americanos, esta coisa não seria revelada. Esta era acabou", sentenciou, no dia seguinte à retirada da administração Bush, muito criticada por ter mantido em segredo informações que deveriam ter sido levadas a público.

"Eu mesmo, como presidente, me conformarei às novas normas de transparência", garantiu o presidente dos Estados Unidos, que assinou cinco decretos sobre o funcionamento de sua administração.

Ele explicou que se ele - ou um ex-presidente - quiser manter informações em segredo, terá de consultar o ministro da Justiça e o conselheiro jurídico do presidente para verificar se a lei permite.

"A informação não será mais retida simplesmente porque decidi assim, e sim porque uma autoridade separada terá considerado minha demanda aceitável constitucionalmente", declarou.

Sobre os inúmeros grupos de pressão em relação constante com a administração e o Congresso, Obama prometeu que os lobistas serão "submetidos a limites mais rígidos do que sob qualquer outra administração da história" dos Estados Unidos.

O presidente explicou que seu objetivo é acabar com o "vaivém" que permite aos funcionários dos grupos de pressão entrar e sair à vontade da função pública, "colocando seus interesses acima dos do povo americano".

A prática dos "presentes" dados aos funcionários por estes grupos será terminantemente proibida, destacou.

"Um ex-lobista que entrar na minha administração não terá o direito de trabalhar nos assuntos sobre os quais trabalhava antes, ou para um ministério com o qual esteve em contato nos dois últimos anos. E quando deixar a função pública, ele não terá o direito de exercer o cargo de lobista enquanto eu estiver na presidência", avisou Obama.

O presidente americano também pediu aos servidores que se comprometam por escrito a não intervir em assuntos envolvendo um ex-empregador durante um período de dois anos. Quando deixar a administração, um funcionário não terá o direito de tentar influenciar ex-colegas, também durante dois anos.

Obama também anunciou que os salários de seus principais assessores serão congelados. "Neste momento de dificuldades econômicas, as famílias americanas são obrigadas a apertar os cintos, e é o que Washington deve fazer também", declarou.

"Algumas das pessoas que estão aqui serão diretamente afetadas pela medida, e quero que saibam que agradeço a boa vontade delas", acrescentou.

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