Obama anuncia envio de 30 mil novos soldados para o Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta terça-feira, o envio de 30 mil novos soldados para o Afeganistão a partir do início de 2010. O anúncio foi feito durante um discurso à nação na academia militar de West Point, no Estado de Nova York (leste do país).

BBC Brasil |

Além da decisão sobre as tropas adicionais, o presidente afirmou ainda que pretende iniciar a retirada das tropas em julho de 2011 - antes das eleições presidenciais de 2012.

"Eu tomo essa decisão porque estou convencido de que nossa segurança está ameaçada no Afeganistão e no Paquistão", disse o presidente.

"Esse é o epicentro do extremismo violento praticado pela al_Qaeda", afirmou.

De acordo com o presidente, as tropas adicionais ajudarão a preparar a retirada e transição para as forças de segurança do Afeganistão.

Com o envio dos soldados, que deve ser realizado ao longo de seis meses, os EUA terão mais de 100 mil homens lutando contra os militantes do Talebã em território afegão.

Transição
Obama disse que usará o Iraque como modelo para a retirada das tropas do Afeganistão.

"Assim como fizemos no Iraque, nós executaremos a transição de maneira responsável, levando em consideração as condições locais", disse.

Segundo o presidente, os EUA continuarão aconselhando e auxiliando as forças de segurança afegãs "para garantir que o sucesso delas a longo prazo".

"Mas seremos claros com o governo afegão - e, mais importante, com o povo afegão - que, no final das contas, eles serão responsáveis pelo próprio país", afirmou o presidente durante o discurso.

Obama afirmou que já apresentou a nova estratégia para o Afeganistão com o presidente afegão, Hamid Karzai, durante uma longa vídeo-conferência.

Segundo a Casa Branca, o presidente disse a Karzai que os esforços dos EUA no Afeganistão "terão limite" e serão medidos com base em objetivos ao longo de dois anos.

Nova estratégia
A nova estratégia militar americana para o Afeganistão é anunciada depois de mais de três meses de discussões.

O anúncio ocorre em meio a uma crescente preocupação nos Estados Unidos em relação ao conflito, que já dura oito anos.

O aumento da violência no Afeganistão - onde mais de 900 soldados americanos já morreram - e o polêmico processo eleitoral de agosto, com denúncias de fraude, aumentaram a oposição dentro dos Estados Unidos ao conflito.

O comandante militar americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, havia pedido no início do ano que os Estados Unidos enviassem mais 40 mil soldados ao país asiático.

Além do envio de mais 30 mil soldados anunciado nesta terça-feira, o presidente americano pediu que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviem mais 10 mil soldados ao Afeganistão.

A França já recusou o pedido, e a Alemanha adiou a decisão. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro, Gordon Brown anunciou, na segunda-feira, o envio de mais 500 soldados.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Martin Patience, críticos da presença militar americana afirmam que cada vez que os Estados Unidos enviam mais tropas a segurança do Afeganistão piora, e questionam por que os americanos estão gastando bilhões de dólares em gastos militares e não na reconstrução do país.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG