Macarena Vidal. Washington, 4 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje uma série de medidas para impedir a evasão de impostos a paraísos fiscais, uma iniciativa que, segundo ele, gerará ao fisco US$ 210 bilhões em dez anos.

Em comparecimento na Casa Branca junto a seu secretário do Tesouro, Timothy Geithner, Obama disse que suas medidas têm como objetivo "eliminar os resquícios" que permitem que as empresas se beneficiem da exportação de empregos ou evitem que paguem impostos que deveriam.

Segundo as propostas apresentadas hoje, o Governo americano prevê a proibição das deduções que as empresas aplicam em suas declarações de impostos por despesas em suas operações no exterior.

Para poder receber essas deduções, as empresas deveriam pagar impostos por seus lucros fora do país.

Segundo a Casa Branca, até agora essas deduções faziam com que algumas empresas inflassem o número de impostos pagos no exterior, para poder receber maiores abatimentos na taxação nos EUA.

A medida, uma das promessas de campanha de Obama, permitiria ao fisco americano receber mais US$ 100 bilhões em uma década.

A iniciativa conta com oposição de empresas como a farmacêutica Pfizer e a gigante General Electric.

A Casa Branca assegura que, com isso, acabará com os incentivos para exportar empregos.

Em troca, o presidente americano propõe tornar permanentes os cortes fiscais às empresas por investimento em pesquisa em desenvolvimento, deduções que o código atual previa que desaparecessem no final do ano.

Segundo a Casa Branca, a medida permitiria às empresas receber um corte fiscal de perto de US$ 75 bilhões ao longo dos próximos dez anos.

Outra das medidas propostas hoje por Obama prevê aumentar em 800 pessoas do número de inspetores fiscais dedicados a examinar as contas dos americanos no exterior.

Segundo Obama, além disso, será exigido aos bancos estrangeiros que informem ao fisco americano sobre a renda que os cidadãos de seu país recebam no exterior.

"Caso não cooperem, assumiremos que se trata de um paraíso fiscal e atuaremos em consequência", advertiu o presidente americano.

Segundo Obama, a adoção dessa série de medidas permitirá que o fisco americano receba até US$ 210 bilhões extras ao longo de dez anos.

Isso, como assegurou, permitirá cortar impostos "aos que respeitam as normas" e tornará "mais fácil" que as empresas possam criar empregos em território americano.

O presidente reconheceu que o Congresso pode não querer aceitar partes do plano, o que pode dar lugar a uma forte batalha entre o Capitólio e a Casa Branca.

Em março, cerca de 200 empresas e associações de executivos assinaram uma carta ao Congresso na qual expressavam sua oposição à reforma tributária e ao fim das deduções por despesas no exterior.

Segundo os signatários, entre eles a General Electric, Pfizer e a Câmara de Comércio americana, as empresas não gozariam de igualdade de condições na hora de competir com companhias estrangeiras, muitas das quais não precisam pagar impostos em seu país por ganhos obtidos no exterior.

A Casa Branca alega que o "código fiscal atual concede uma verdadeira vantagem competitiva às empresas que investem e encontrem empregos no exterior frente às que invistam e achem esses mesmos postos de trabalho nos EUA".

Entre os números que a Casa Branca apresenta, em 2004, o último ano para o qual estão disponíveis este tipo de dados, as multinacionais americanas pagaram cerca de US$ 16 bilhões nos EUA para cerca de US$ 700 bilhões no exterior.

O número, como assegura a Casa Branca, representa "uma porcentagem tributária de perto de 2,3%". EFE mv/rr

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